Mesmo com queda no volume de café exportado, faturamento bate recorde em julho
Em julho, o Brasil exportou 2,733 milhões de sacas de café, representando uma queda de 27,6% em relação ao mesmo mês de 2024. Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Segundo o presidente da entidade, Márcio Ferreira, a retração já era esperada, após exportações recordes em 2024, estoques reduzidos e uma safra sem excedentes, com o potencial produtivo total impactado pelo clima. Entretanto, mesmo com menor volume, as exportações somaram um recorde de faturamento no mês, atingindo US$1,033 bilhão, alta de 10,4%. Ferreira destacou que o resultado foi sustentado pelos preços elevados no mercado internacional, influenciados pelo equilíbrio frágil entre oferta e demanda ou até por um leve déficit na disponibilidade global de café.
Primeiros 7 meses do ano
Na análise de janeiro a julho, o país exportou 22,150 milhões de sacas, significando uma queda de 21,4% na comparação anual. Mesmo assim, houve aumento no faturamento (36%), que chegou a US$ 8,555 bilhões, também o maior valor já registrado para o período. O principal cliente do Brasil segue sendo os EUA, com 3,713 milhões de sacas importadas pelo país nos sete primeiros meses de 2025, queda de 17,9% em comparação ao mesmo período de 2024. Ferreira afirmou que o impacto do tarifaço de 50% imposto pelo governo americano só deverá ser sentido a partir de agosto, quando a medida passou a valer. Na sequência estão a Alemanha, com 2,656 milhões de sacas e queda de 34,1%; Itália, com 1,733 milhão de sacas (-21,9%); Japão, com 1,459 milhão (+11,5%); e Bélgica, 1,374 milhão (-49,4%).
Variedades mais exportadas
O arábica se destacou como a variedade mais exportada, com 17,94 milhões de sacas entre janeiro e julho (-13,3%), representando 81% do total embarcado. Na sequência está o café solúvel, respondendo por 2,229 milhões de sacas (10,1%), seguido pelo canéfora (conilon e robusta), com 1,949 milhão (8,8%), e pelo café torrado e moído, com 31.755 sacas (0,1%). Os cafés com certificação de sustentabilidade ou qualidade superior representaram 21,5% das exportações no acumulado do ano, com 4,759 milhões de sacas (-8,8%). O preço médio foi de US$ 425,78 por saca, gerando receita de US$ 2,026 bilhões, alta de 57,8%.
Fonte: Exame
