A Confusão no PDV para o Shopper


Se há uma unanimidade, em relação ao tema no varejo, é
sobre a dificuldade que é a jornada de compra de um vegano dentro da loja. "Acreditamos
que a sinalização e promoções hoje são o melhor atrativo para consumidores no
PDV", reforça Mariana Falcão, Presidente da Mr. Veggy, que revela sua
experiência sobre como o varejo vem trabalhando em relação ao segmento. "Os
varejistas estão começando a dedicar uma área específica das lojas para
produtos naturais, vegetarianos e saudáveis. A novidade é que isso não ocorre
somente nos corredores secos, mas também no setor de congelados. Ainda falta
adaptar o setor de refrigerados, que ainda é composto em sua maioria por
laticínios", segundoMariana.
Para Rayanne Galavotti, sócia da Hiper Veg, a exposição
no PDV ainda é confusa para o público que procura esses produtos. "Ainda não há
uniformização sobre como expor esta nova categoria, temos supermercados que
criam corredores "saudáveis" onde há mistura de itens que sejam naturais e/ou
orgânicos sem ser veganos, o que pode gerar confusão no consumidor, bem como a
questão dos alergênicos que se aproxima desta categoria. Por outro lado,
podemos gerar dupla exposição na categoria aumentando a permeabilidade
inclusive em quem ainda não conhece estes itens, a exemplo das carnes vegetais
que são vendidas em açougue representando até 30% do faturamento."
Rayanne reforça ainda que para funcionar melhor, é preciso também um trabalho
além da exposição nas lojas. "Começamos a ter time de compras mais preparados.
Antigamente negociávamos um queijo vegano feito de castanhas, funcional,
altamente nutritivo, crudívoro, livre de alergênicos e clean label, com um
profissional especializado em laticínios de origem animal, o que gerava grande
confusão sobre termos e valor agregado nesta demanda, dificultando o caminho às
prateleiras. O próximo passo será o entendimento financeiro e fiscal, a exemplo
de grandes redes que entenderam o produtor vegano brasileiro, no trabalho a ser
feito com margens menores para ganharmos escala, visto que é um setor sem
subsídios."
Já para a Sadia, o varejo precisa se atentar as
necessidades do consumidor, segundo Marcelo Suárez, diretor de Marketing das
marcas da BRF. "O varejista precisa entender quais são os produtos de giro em
seu ponto de venda e mais do que isso, o que seus consumidores estão procurando
que não encontram; quais os produtos que geram tráfego na sua loja; quais são
itens constantes das cestas básicas do consumidor, e nesse momento. Isso tudo
reflete no planejamento correto. Isso não mudou com a pandemia; a novidade
agora é que os novos hábitos surgiram e com isso veio necessidade de compras de
produtos antes não adquiridos ou adquiridos em menor quantidade em
supermercados."