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Consumidores brasileiros optam por produtos de limpeza mais baratos e setor sofre consequências

 O mercado brasileiro de produtos de limpeza apresenta uma tendência na migração para produtos mais baratos. Segundo dados apresentados pela NielsenIQ, no lançamento do Anuário ABIPLA – Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional 2025, as marcas que oferecem produtos de linhas populares (low tier) cresceram o dobro daquelas que oferecem linhas de alto padrão (high tier). O preço médio foi 50% menor, com maior presença em promoções e gôndolas de atacarejos ao longo de 2024. Assim, as marcas high tier mostraram uma queda de 6% na participação do setor, com preços até 1,5 vezes acima da média. Para a presidente da ABIPLA, Juliana Marra, a inflação reconfigurou as demandas do consumidor em relação aos produtos de limpeza, já que para grande parte da população é preciso escolher o que pagar e o que consumir.


 Segundo o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), os produtos de limpeza registraram queda média de 1,2% nos preços ao consumidor em 2024. A opção dos canais de atacarejo e dos consumidores por embalagens maiores, promoções e marcas intermediárias ou econômicas, intensificou o cenário. Segundo levantamento da NielsenIQ, a maior parte do crescimento em categorias como sabão líquido e amaciante concentrado veio de marcas low tier — 60% e 40%, respectivamente. A tendência na migração de marcas e produtos foi identificada no anuário. Apesar de o setor ter registrado alta de 8,2% no volume produzido em 2024, o faturamento em dólares recuou, passando de US$ 7,485 bilhões em 2023 para US$ 7,170 bilhões em 2024. Além das trocas por marcas mais baratas, a desvalorização do real também contribuiu para a retração.


Custo de produção

 O setor lidou, ainda, com um aumento nos custos de produção em 2024. De acordo com dados do Índice de Preços ao Produtor, a alta média do setor no ano passado foi de 3,75%. "Isso impacta diretamente nas margens, o que é um sinal de alerta para o setor, porque mostra um consumo orientado em demasia ao preço, e isso limita nossa capacidade de inovar, investir e sustentar empregos", afirma Juliana. O setor age com cautela em 2025. O desempenho acumulado de janeiro a maio deste ano já mostra queda de 4,1% na produção, e a expectativa das empresas é de um ano mais desafiador.

16/07/2025

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