Luis Henrique Moreira Media Painel Varejo
Varejo Alimentar 4.0
Ontem (15), das 10h30 às 12h30, ocorreu o painel "O Varejo Alimentar 4.0: as transformações e os desafios do presente e futuro do setor supermercadista e atacadista". A live faz parte do Global Retail Show, evento online de varejo que acontece até o próximo sábado (19). Com mediação de Luis Henrique Moreira, diretor executivo do Portal Giro News, e Eduardo Yamashita, COO do Gouvêa Ecosystem, o painel contou com a presença de Leopoldo Senff, Presidente da Senff; Sandro Benelli, Presidente do Veran Supermercados; Severino Neto, Presidente do Mercadinhos São Luiz; Tiago Simões, Diretor de Marketing do supermercadista português Continente; e Otavio Thome, Head de Inovação do GPA. Veja os destaques.
A Base Remanescente do Crescimento do E-commerce na Pandemia
O bate-papo iniciou com o tema sobre o público remanescente do crescimento do e-commerce das redes varejistas, durante o pico de vendas na pandemia. ParaSeverino Neto, do Mercadinhos Luiz, houve uma estabilidade. "Esse número cai a partir da 'diminuição do medo', de 20 a 25%. E começa a vir um comportamento bem diferente, ou seja, de quem gostou e exigiu mais das ferramentas que nós estamos ofertando. É um momento de aprendizado. O que fica é que você acaba tendo uma venda melhor, um conhecimento melhor sobre a ferramenta." Para Otavio, do GPA, houve mais penetração no Brasil. "A gente estima aqui algo entorno entre 60 e 80% do público novo que veio e vai ficar. Tem mercados como o Estados Unidos e França que giram entorno de 40%. Como pegamos a última onda de transformação no varejo alimentar, nós temos mais penetração".
Uso dos dados e Privacidade (LGPD)
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) foi outro assunto do evento. Para Leonardo, da Zenff, dentro da nova lei, o cliente deve aceitar o uso. "Nós temos que pedir o aceite, dentro na nova LGPD. Todos os clientes que trabalham dentro do clube nós estamos pedindo o aceite para poder analisar os dados, os créditos, enfim, ou qualquer outra ação. No momento da compra, o cliente também dá o aceite no crédito. É mais um step em que ele precisa concordar com a proposta de crédito. Nós só conseguimos trabalhar com todos os aceites. Se alguém entrar no clube, no CRM, em que alguém não deu o aceite, nós não podemos fazer". Tiago, da Continental, já trabalha com a lei em Portugal."Nós temos aqui o LGPD implementado há mais de um ano. Na adaptação do LGPD, houve bases de dados em que perdemos clientes. Nós conseguimos que os clientes depois aceitassem os requisitos legais. Mas tem sido uma tarefa difícil com as restrições, mas temos que ter isso implementado."
Mudanças na Segmentação das Categorias
A mudança na segmentação de categorias nos últimos anos fez com que os supermercados aumentassem número de SKUs e que trabalhassem mais as especificidades dos produtos e dos consumidores. Veja alguns eixos dessa transição por Sandro Benneli, do Veran Supermercados. "O sortimento cresce em função de alguns eixos. O primeiro se deve por conta da gourmetização. Há uma mudança na maneira de consumo. Quando o consumidor começa a comer de forma melhor, ele vai procurar mais variedade, mais especialização. O segundo eixo é a saudabilidade. Seja porque ela é vegana ou tem alguma restrição alimentar. Nos últimos dez anos esse mercado vem impulsionando muito suas características. O terceiro eixo que aumentou muito é por funcionalidades. As pessoas moram sozinhas e têm mais pressa, seja por comida pronta, semipronta. Nesse ponto, estamos anos-luz atrás da Europa. Há 500, 600 referências de pratos prontos. No Brasil não deve passar de 100. O quarto eixo, que faz crescer muito o sortimento é a marca própria. É preciso saber o que o cliente quer consumir, para poder preparar melhor a sua gestão de categoria e dedicar o melhor espaço para aquilo que ele quer consumir. Outro ponto é você treinar o seu funcionário. Não é fácil vender. Outra coisa, é que esses produtos novos, oferecem ao varejista, a possibilidade de melhorar a margem. Não ficam naquela coisa do combate, de comoditização. Também não dá para ter tudo, para todo mundo. É preciso ter cuidado. Isso faz com que tenhamos lojas maiores. Eu farei minhas lojas com, pelo menos, 500m² de espaço a mais. Para eu colocar no futuro aquilo que ainda não sei o que é".
Dentro do E-commerce Dá para Entregar uma Experiência Próxima da Loja Física?
Comprar uma batata e uma geladeira é a mesma coisa no e-commerce? Para Sandro (Veran Supermercados) é uma tarefa a ser realizada. "O ser humano tem cinco sentidos e o e-commerce só te oferece três. Teremos que trabalhar tanto o paladar como o olfato. Numa escala do puramente funcional até o puramente emocional, tem muita importância que vai mudando de canal. A sacada é: para cada tipo de problema, saber qual o estímulo você precisa dar. O produto funcional ele estimula se você realmente entender que ele entrega valor para você. Seria o preço para aquilo que se propõe a fazer. Agora, quando se anda na régua do emocional, nós temos que ter mais artifícios para entregar aquilo que se qualifica. Como vai vender, batata ou geladeira, tudo igual? Esse é um erro da gente. Isso vai exigir da gente anos de desenvolvimento."
Para e Otavio Thome (GPA), cada varejo tem sua distinção. "Quando nós falamos de ser o último na transformação digital, eu falo que um cliente nosso, em média, tem uma cesta de 45, 50 itens. Não é igual quando você entra para comprar um TV, tem as especificações do modelo. É diferente de quando, por exemplo, vai comprar alface, que tem vários modelos. Tem várias especificidades que tornam essa jornada um pouco mais complexa. Tem algumas ferramentas que possam ajudar. Tem, por exemplo, o 'Recomenders', que começamos a testar no nosso e-commerce online. Eu sei que nas últimas compras o cliente comprou isso, então se ele esqueceu de algum item e eu coloco a ferramenta para que ele se lembre do produto. Tem também uma questão da compra recorrente, principalmente para as gerações mais jovens. É o que a gente chama de 'Home Review'. O cliente recebe toda semana um produto e eu vou cobrar uma taxa por isso. Mas ainda falta o componente emocional no e-commerce, que ainda não conseguiu atingir essa barreira. Há ferramentas que estão sendo criadas".
15/09/2020
