A Rota do Cash & Carry Rumo ao Consumidor Final
Atacarejo Cada Vez Mais Varejo
Texto: Bruna Soares
Atrelar os baixos custos
operacionais - que são a essência do formato - ao investimento em novos
serviços para os clientes. Este tem sido o desafio do cash & carry nos
últimos anos, principalmente devido à parcela crescente de consumidores finais
fazendo compras no modelo. Com expansão acelerada, as redes se aproximam cada
vez mais do público B2C e adequam sua atuação para oferecer mais produtos,
serviços de atendimento e entregas rápidas - preocupações que, no passado, eram
restritas ao varejo. Neste cenário, áreas de açougue, padaria, bebidas geladas,
lanchonete e até farmácia tornam-se comuns em bandeiras como Atacadão, Assaí
Atacadista, Roldão Atacadista, Fort Atacadista, Tenda Atacado, Apoio Mineiro e
Mercantil Atacado.
Digitalização do Cash &
Carry
No Atacadão, por exemplo,
uma das apostas foi a entrada no canal digital, com presença em serviços
distintos voltados a clientes comerciantes e consumidores finais. "No
marketplace, contamos com mais de 300 sellers parceiros e cerca de 50 mil
produtos, e chegamos a aproximadamente 5 mil cidades a partir dos nossos 33
atacados de entrega. Já nos aplicativos, estamos presentes em 120 lojas de 60
cidades, com uma equipe de shoppers dedicados a atender em tempo real os
pedidos que chegam pelos aplicativos", revela Marco Oliveira, CEO do Atacadão,
com exclusividade ao Jornal Giro News. Nas 255 lojas físicas da rede, a
estratégia contempla variedade de produtos regionais, espaços de café e
farmácias, além de postos de combustível. "Esse mix de serviços também fideliza
o cliente."
Formato Capta Novos Públicos
Para Eduardo Roldão,
presidente do Roldão Atacadista, o mercado de cash & carry está
"completamente diferente" de poucos anos atrás. "Observamos que o segmento de
fato tem sido destino de um público que antes não tinha o atacarejo como opção
de compras", analisou o executivo, em entrevista para o Jornal Giro News.
Apesar disso, a rede, que tem 39 lojas no estado de São Paulo, não investiu em
significativas alterações em sua estratégia nos últimos anos. "Não fizemos
grandes mudanças, até porque o foco da empresa está voltado para preço,
atendimento e mix de produtos." Já o Assaí Atacadista, observando as mudanças
de mercado, iniciou a reformulação de suas lojas há cerca de dez anos. Desde
então, o mix passou de 6 mil para mais de 9 mil produtos. Agora, além de
açougue, a rede estreia suas primeiras operações de padaria, peixaria, frios
fatiados, encomenda de frango assado e seção de itens automotivos, produtos
pet e ferramentaria.
Novos Setores nas Lojas
"O nosso formato tem como
principal objetivo levar preço baixo e um mix de produtos completo. Essa é uma
característica que se torna especialmente importante em um cenário
inflacionário como o que estamos vivendo, mas não sozinha. Trabalhamos com
valores que são cerca de 15% menores do que no varejo tradicional e temos
evoluído o nosso modelo de lojas para que os clientes sintam uma experiência
superior em atacarejo", destacou Anderson Castilho, Vice-Presidente de
Operações do Assaí Atacadista, em recente entrevista exclusiva ao Jornal Giro
News. Segundo o executivo, as novidades nas lojas têm atraído uma parcela de
novos clientes. Agora, por meio de expansão, a rede quer ultrapassar as
barreiras do setor. "A conversão dos 70 pontos comerciais adquiridos dos
antigos hipermercados Extra é uma oportunidade única para acelerar nosso
crescimento. Dessa maneira, avançamos para a última fronteira do atacarejo e
consolidamos o formato em regiões centrais de 16 capitais e cidades brasileiras
que são referência de grandes polos econômicos. Trata-se de pontos extremamente
bem localizados, em regiões maduras, altamente adensadas e que seriam
irreplicáveis nos dias de hoje por conta de barreiras imobiliárias."
