Pós-Black Friday: recuperação de carrinhos vira vantagem competitiva para o varejo
Para além dos descontos e tráfego elevado, a Black Friday agora representa, também, uma oportunidade de conversão e recuperação de carrinhos abandonados no período após a sexta-feira. “A taxa de abandono permanece muito alta, gira em torno de 70% segundo dados mais recentes. As razões continuam as mesmas: comparações de preço, frete, complexidade do checkout, distração”, analisa Rodrigo Bidinoto, diretor global de Vendas da ActiveCampaign, plataforma global de automação de marketing. No entanto, segundo o executivo, a maturidade do varejo em recuperar a venda mudou, visto que as marcas passaram a investir mais em automação, cadências e dados próprios. “Se o abandono é inevitável e quase que parte do processo de compra, a recuperação vira vantagem competitiva.”
Estratégias para recuperação
Para o diretor, a recuperação de carrinhos deve se apoiar em três pilares: velocidade, personalização real e multicanal inteligente. “A primeira mensagem deve sair entre 1 e 3 horas após o abandono - é o período em que a intenção ainda está quente. Depois, uma segunda em 24 horas e, dependendo do ticket, uma terceira entre 48 e 72 horas”, detalha, em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News. A orientação também inclui mostrar o que o cliente deixou no carrinho, com imagem, variação de cor e tamanho, além de oferecer alternativas semelhantes. “O consumidor brasileiro é mobile-first, e o WhatsApp hoje é parte da jornada. Então, a régua ideal combina e-mail, WhatsApp, push e retargeting, cada um com sua função.”
Comportamento de consumo
O comportamento do consumidor influencia, ainda, o timing da recuperação. “No sábado já começa um movimento de retomada, mas é no domingo que vemos um dos melhores momentos para recuperar carrinhos, porque o consumidor revisita com calma aquilo que deixou para trás.” De acordo com Rodrigo, no pós-Black Friday, a estratégia deve ir além das mensagens, sendo fundamental priorizar o relacionamento e surpreender o cliente com a experiência. No entanto, cada segmento exige uma abordagem distinta. “Em Moda, a recuperação funciona melhor quando a marca mostra reviews, fotos reais, política clara e facilidade de devolução. Já Eletrônicos têm ticket mais alto e um ciclo de decisão mais longo. A conversão exige argumentos de valor, como garantia, parcelamento, credibilidade e comparativo de modelos”, explica o executivo.
Personalização e tecnologia
Entre as iniciativas mais eficazes, o diretor cita fluxos de onboarding pós-compra, programas de fidelidade e experiências de pós-venda. “A personalização é o que diferencia um lembrete que o cliente ignora de uma mensagem que realmente o traz de volta ao carrinho”, comenta. A tecnologia tem papel decisivo nesse processo. Atualmente, muitas marcas usam inteligência artificial para prever quem tem maior probabilidade de concluir a compra, qual o melhor canal e horário para abordar cada pessoa e para ajustar a mensagem de forma personalizada. Além disso, chatbots também ganharam força, principalmente no WhatsApp, ajudando a sanar dúvidas de frete, entrega ou troca ainda no momento do abandono.
