E-commerce brasileiro deve crescer 15% em 2025 mas invasão estrangeria preocupa empresas brasileiras
Em 2025, o mercado brasileiro de e-commerce deve crescer 15% chegando a um volume bruto de mercadorias (GMV) de R$ 380 bilhões, maior que os R$ 330 bilhões de 2024. O cenário ainda não é o mesmo do registrado na pandemia de Covid-19, quando o varejo digital teve grande destaque. Ainda assim, o setor apresenta sinais de crescimento robusto. Em 2021, a alta no GMV foi de 29%. Nos próximos anos desacelerou para 3% em 2022, 2% em 2023 e em 2024 voltou a crescer e fechou com alta de 25%. Porém, de acordo com um relatório do BTG Pactual, o principal desafio enfrentado pelas empresas brasileiras é o de lidar com o que os analistas chamam de "invasão estrangeira" no e-commerce.
Força destacada
No documento, o banco detalha a força desses players, que atuam de forma expressiva no cross-border. No ano passado, o GMV da Shopee ultrapassou R$ 70 bilhões, e da Shein superou R$ 15 bilhões. No caso da Temu, eles apontam “cifras de bilhões de reais em seu primeiro ano”. O Tik Tok Shop também foi destacado Segundo os especialistas, o canal de vendas diretas da plataforma chinesa alcançou volume de US$ 1 milhão por dia em GMV, poucos meses após o lançamento. “A concorrência com esses players exige não apenas escala, mas também alavancagem de ecossistema, densidade logística local e capacidades superiores de monetização”, afirmam os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Pedro Lima, que assinam o relatório.
Remessa Conforme não surtiu efeito
Tudo isso levando em conta inclusive o impacto da Remessa Conforme, conhecida como “taxa das blusinhas”, criada pelo governo federal para garantir justamente um patamar mais isonômico em termos de impostos, e que passou a vigorar em agosto de 2024. Portanto, a medida de introduzir uma cobrança de impostos de 20% para remessas de até US$ 50 não foi o suficiente para frear a força das companhia asiáticas. “As plataformas estrangeiras se beneficiaram inicialmente de assimetrias tarifárias, permitindo modelos de negócios altamente subsidiados e domínio em produtos de baixo nível médio de valor”, afirmam os especialistas do BTG. “No entanto, a mudança regulatória de 2024 provocou uma queda acentuada no volume de encomendas cross-border, mas não eliminando sua vantagem competitiva”, explica o relatório.
Projeções para os próximos anos
Excluindo as operadoras estrangeiras, o Mercado Livre deve atingir 47% de participação de GMV em 2025, seguido por Amazon e Magazine Luiza, com cerca de 12% cada. Incluindo as plataformas asiáticas, o Mercado Livre fica com 39% de share, na liderança do mercado, enquanto Shopee alcança 14%. Para o futuro, o BTG aponta para um crescimento anual de GMV no e-commerce brasileiro de 14% a 15% nos próximos 12 a 18 meses. Isso representaria um faturamento de R$ 436 milhões em 2026. “Esse cenário assume forte desempenho do Mercado Livre, com alta de 25% de GMV, retomada do crescimento de vendedores pela Amazon e manutenção da força da Shopee em segmento de baixo valor médio”, diz o relatório do BTG.
