Desafios e oportunidades do e-commerce alimentar: o que todo empreendedor precisa saber
O setor de comércio eletrônico de alimentos, nos últimos anos, cresceu significativamente. Esse processo foi evidenciado pelos dados divulgados pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), os quais apontaram que as vendas online no setor alimentício cresceram 42% entre 2022 e 2024.
Somente no ano de 2024 o setor de alimentos e bebidas no comércio eletrônico brasileiro cresceu 18,4%, em um comparativo com 2023, atingindo R$ 16 bilhões em vendas, segundo a ABComm. A tendência é que estes valores sejam triplicados até 2027, conforme as projeções da McKinsey.
No entanto, embora as expectativas sejam de crescimento no e-commerce alimentar, apesar das oportunidades, o segmento também apresenta desafios que exigem preparo, inovação e conhecimento, assim como o restante da cadeia produtiva nacional.
Quais são os principais desafios operacionais do setor?
Embora apresente grande potencial em termos macro e microeconômicos, o setor alimentício apresenta alguns obstáculos específicos. Diferentemente do e-commerce tradicional, que geralmente lida com itens duráveis, no setor alimentício, os produtos perecíveis precisam de um controle de temperatura e uma gestão rigorosa do estoque, priorizando aspectos como qualidade e segurança no transporte e no armazenamento.
A logística é, sem dúvidas, um dos grandes desafios. Os produtos frescos, congelados ou refrigerados precisam passar por um processo correto de armazenamento e transporte, com controle de temperatura.
Isso, inevitavelmente, implica em maiores custos operacionais e, geralmente, na necessidade de parcerias com transportadoras que prestam serviços especializados. Em alguns casos, acaba necessitando-se de investimentos em estruturas próprias, como centros de distribuição em pontos regionais estratégicos para circulação das mercadorias.
Outro desafio é a conservação e a regulamentação sanitária. Neste setor do mercado, o empreendedor precisa sempre garantir que todos os alimentos estejam conforme o prazo de validade e de acordo com as novas normas de vigilância sanitária. Por este motivo, é elementar deixar sempre claro para o cliente a data de validade do produto, a sua origem, as condições de armazenamento e as instruções de preparo.
Os dados aumentam a confiança e evitam problemas relacionados à saúde e à qualidade das entregas. Além disso, no mundo digital, o consumidor não pode tocar e cheirar o produto para verificar o seu frescor.
Em razão disso, investir em descrições completas, imagens reais do produto, selos de qualidade e informações nutricionais detalhadas é indispensável. No e-commerce de alimentos, a compra deve ser, além de segura e simples, agradável. Um dos desafios é construir um site que seja realmente intuitivo e rápido.
É possível otimizar a experiência do usuário?
Embora existam desafios, enfrentá-los pode ser um processo fácil e pouco doloroso. Inicialmente, é importante destacar que sites desorganizados e lentos, que exigem uma série de etapas até a finalização do pedido, são fortes candidatos a afastar clientes.
Por este motivo, um dos pontos críticos do e-commerce alimentar é a finalização do pedido. No processo de compra e venda, muitos carrinhos são abandonados justamente na etapa de checkout, seja por navegação lenta, falhas técnicas ou falta de segurança percebida na plataforma.
Nesta perspectiva, investir em uma plataforma de checkout eficiente é fundamental para reduzir o abandono de carrinho e oferecer transações rápidas e seguras. Mas quais seriam os atributos de uma plataforma considerada boa? Em tese, uma boa plataforma integra diferentes meios de pagamentos, como Pix, cartões, carteiras digitais, entre outros.
Além disso, precisa fornecer confirmação em tempo real, de modo a garantir a proteção dos dados dos usuários. Outro ponto é a flexibilidade na personalização, que pode incluir descontos, cupons, programa de fidelidade, entre outros.
De acordo com dados da Claro, entre os fatores que motivam compras online, estão: cupons de desconto (22%); frete grátis (20%); entrega no mesmo dia (19%); retirada na loja grátis (12%); preços equivalentes aos da loja física (10%); garantia na seleção dos itens (10%); opção de pagamento na entrega ou retirada (8%).
A tecnologia nesse movimento, assim como em outros setores, mostra-se uma excelente aliada, especialmente nas soluções de automação, como softwares de gestão de estoque e pedidos, na análise de dados que influenciam a previsão das demandas, além de permitir segmentar o público, a fim de ajudar nas promoções.
No fim, o e-commerce alimentar oferece no tempo atual oportunidades de crescimento para aqueles que desejam empreender no setor. No entanto, não se trata de um segmento simples. É preciso dominar questões logísticas, garantir a conservação dos produtos e investir na experiência do cliente.
