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Imagem destaque: Novo mapa do varejo alimentar: Redes regionais avançam e gigantes perdem espaço
Créditos: Divulgação/ Grupo Mateus

Novo mapa do varejo alimentar: Redes regionais avançam e gigantes perdem espaço

 O varejo alimentar brasileiro atravessa uma mudança estrutural que vem alterando o equilíbrio de forças do setor. Se no início da década passada o top 5 do Ranking Abras era amplamente dominado por grandes grupos de atuação nacional — com quatro redes de alcance nacional entre as cinco maiores —, hoje esse cenário começa a ganhar outra forma. Atualmente, três companhias com presença nacional permanecem nesse grupo e em 2027 deve cair para apenas duas, já que o GPA deve perder a 5ª posição no próximo ranking. Enquanto isso, redes regionais ampliam participação e desafiam a hegemonia histórica dos gigantes. Mesmo que a liderança ainda seja de redes nacionais do varejo, de duas empresas que são símbolos na ascensão do atacarejo brasileiro (Carrefour e Assaí), a mudança evidencia uma nova lógica competitiva, marcada pela força de operações mais concentradas geograficamente, com maior eficiência e conexão direta com mercados locais.

 

A queda dos gigantes nacionais

 Um dos movimentos mais emblemáticos dessa transformação é o do GPA. Mesmo após a cisão com o Assaí no ranking de 2021, o grupo ocupava a terceira colocação do ranking com quase R$ 17 bilhões de diferença para o Mateus, quarto colocado naquele ano. Porém, a companhia vem registrando uma trajetória de retração ano após ano. Hoje, aparece na quinta posição e já convive com a perspectiva concreta de ser ultrapassado pelo Grupo Muffato na próxima edição do levantamento em 2027. Outro símbolo dessa mudança foi a saída do Walmart do cenário nacional após a venda de sua operação brasileira, enquanto a Cencosud também perdeu protagonismo competitivo. O enfraquecimento dessas companhias reflete não apenas mudanças estratégicas internas, mas também a dificuldade dos grandes grupos em responder com agilidade às transformações do consumo e ao avanço de formatos mais adaptados às realidades regionais.

 

A força crescente das redes regionais

 Nesse novo desenho, o Grupo Mateus se consolidou como principal símbolo da ascensão regional. A companhia estreou no ranking em 2021 já na quarta colocação, ocupando o espaço historicamente disputado por redes nacionais e internacionais. Desde então, saltou de um faturamento de R$ 14,3 bilhões em 2020 para R$ 43,5 bilhões no Ranking Abras 2026, assumindo a terceira posição, atrás apenas de Carrefour e Assaí. O Supermercados BH também reforça essa virada. Depois de figurar na 12ª posição em 2010, a rede mineira assumiu o quarto lugar no ano passado ao ultrapassar o GPA e segue em ritmo acelerado, com crescimento de 20% em 2025. Caso a fusão com a DMA Distribuidora seja aprovada pelo Cade, a companhia alcançará faturamento combinado de R$ 34,6 bilhões, encurtando ainda mais a distância para o Grupo Mateus.

 

Descentralização e nova competitividade

 A reconfiguração do ranking mostra que o varejo alimentar brasileiro vive um processo claro de descentralização de poder. Redes como Muffato, Grupo Pereira, Koch, Novo Atacarejo e Mart Minas & Dom Atacadista passaram a rivalizar diretamente com players historicamente dominantes, mesmo com operações concentradas em regiões específicas. A vantagem competitiva está na leitura precisa dos hábitos locais, na agilidade para tomada de decisão e em estruturas operacionais mais eficientes. A tendência indica que o protagonismo regional deve se intensificar nos próximos anos, consolidando um mercado menos concentrado nacionalmente e cada vez mais orientado por estratégias de proximidade, eficiência logística e expansão sustentável.

18/05/2026

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