(ARTIGO) Cezar e Domingos - Um Legado de Ousadia
Por A.C. Yazbek
Dor é uma palavra muito pequena para exprimir todo o sentimento pela perda do amigo Cezar Tavares. Estive com ele no último dia 17, ele queria me confidenciar um grande lançamento da Vilma Alimentos. Falou com entusiasmo da inovação, que iria inaugurar uma nova geração de produtos, fruto de dois anos de desenvolvimento do que existe de mais atual em engenharia de alimentos.
Dor é uma palavra muito pequena para exprimir todo o sentimento pela perda do amigo Cezar Tavares. Estive com ele no último dia 17, ele queria me confidenciar um grande lançamento da Vilma Alimentos. Falou com entusiasmo da inovação, que iria inaugurar uma nova geração de produtos, fruto de dois anos de desenvolvimento do que existe de mais atual em engenharia de alimentos.
Conheci o Cezar em 1997, quando ele revolucionava o conceito de misturas para bolo. Enquanto todos caminhavam agregando valor às embalagens, sofisticando o produto, influenciados pelo modelo americano da Betty Crocker, Cezar simplificou a embalagem, oferecendo as misturas da Vilma em bolsas plásticas, derrubando pela metade o preço do produto ao consumidor.
Fundamentava o comportamento mercadológico afirmando: “enquanto o mercado inteiro está agregando valor encarecendo a embalagem e perdendo dinheiro, a Vilma agrega valor à farinha de trigo, oferecendo a melhor mistura em uma embalagem simples, isso torna o produto acessível e todos ganham – a industria, o varejo e o consumidor”.
Incansável, ousado e criativo, olhava o mercado pelo ângulo dos milhares de pontos de venda. Enquanto as grandes companhias concentravam a distribuição nas grandes redes e em uns poucos distribuidores, sua estratégia se baseava em pulverizar a distribuição. Confidenciava, com orgulho, que nenhum cliente da Vilma representava mais do que 4% nas vendas.
No começo de 2002 ele me ligou para pedir mais detalhes sobre uma pesquisa que havíamos feito. Os dados sobre refrescos em pó haviam chamado sua atenção. Sigilosamente disse, vou entrar nesse segmento para ser líder na nossa região (MG/MT/RJ/ES). Dito e feito. Ele estava transformando aquele moinho regional, herdado por Domingos Costa em uma empresa de alimentos. A segurança e ponderação do empreendedor Domingos era completada pela inquietação de Cezar.
A visão estratégica da dupla e o projeto para médio e longo prazo tirou o velho moinho da acomodação na venda de commodities – farinha de trigo para padarias e algumas massas – e abriu um leque em novas segmentações. Quem conheceu o velho moinho não o reconhece na grande estrutura da Vilma Alimentos de hoje.
Em 2003 ele me consultava mais uma vez: “preciso descobrir uma nova categoria direcionada ao consumo de massa e que tenha afinidade com os nossos negócios”. Após um estudo interno, nossas pesquisas apontavam uma lacuna no segmento de temperos, especiarias e condimentos. Sua resposta foi a compra da indústria e marca Pirata, líder em MG.
Abri um e-mail do Cezar no dia 27, sexta-feira, onde ele dizia que a nova linha de produtos já tinha data para ser lançada: outubro. Prometi confidência e apoio no lançamento. Cezar e Domingos partiram em uma viagem sem volta, no avião que caiu em Juiz de Fora. Porém deixaram toda a bagagem da Vilma em terra firme, uma empresa consistente para a nova geração de gestores – Patricia Costa, Vice Presidente de Finanças e Tiago Costa, Superintendente de Produção, filhos de Domingos. A dor é uma palavra muito pequena diante da grandiosidade do legado.