Tendências do Varejo: o que a China tem para nos ensinar
*Por
Eduardo Córdova, CEO e co-founder do Market4u
Segundo
o relatório 'Setor de Varejo da China - Crescimento, Tendências, Impacto da
Covid-19 e Previsões (2023 - 2028)', elaborado pela Mordor Intelligence, até
2024, o varejo chinês deve registrar uma taxa de crescimento anual composta
(CAGR) de 10,6%. Foi neste cenário que tive a oportunidade de estar em Xangai e
em Shenzhen, na China, em busca de tendências, inovação e tecnologias voltadas
para o setor varejista.
O
que encontrei por lá, como era de se esperar, foi exemplo de planejamento e
execução. Na China, o desenvolvimento e a estrutura das cidades inteligentes se
dão por meio da organização e do gerenciamento eficaz das pessoas e do
ambiente, de modo que todo o ecossistema envolve tecnologia. Vai muito além da
conexão em tempo integral. Para se ter uma ideia, o governo chinês faz
incentivo massivo, por meio do subsídio de impostos e taxas, para a aquisição e
uso de veículos elétricos. Além de fácil acesso aos pontos de abastecimento
elétrico, as estruturas das cidades permitem que, em apenas quinze minutos, os
cidadãos tenham acesso a todas as necessidades básicas.
A
tecnologia está presente em praticamente todos os aspectos da rotina. Os super
apps - aplicativos que
visam a experiência unificada
do usuário - encontram-se em atividades que vão desde a troca
de mensagens ou o uso de transporte público, até ao aluguel de power banks e a
realização de compras, sejam elas em lojas autônomas ou não.
Aliás,
neste quesito, ao contrário do que muito se imagina, as lojas 100% autônomas em
locais de grande circulação de pessoas, são apenas as chamadas lojas conceito.
Embora na China este modelo de negócio esteja bem disseminado, os
estabelecimentos varejistas sem atendentes estão mais presentes em ambientes
fechados e controlados, como em escolas e centros comerciais.
Ainda
no que diz respeito às lojas autônomas, as unidades da rede Lawson, maior rede
de lojas autônomas da Ásia, por exemplo, oferecem uma incrível estrutura em
relação à tecnologia, que são mais simples e mais baratas do que a de grandes
varejistas reconhecidas no mercado internacional. As gôndolas, muitas
refrigeradas, possuem balanças que detectam quando um produto foi retirado,
além de diversas câmeras fixadas em pontos específicos das lojas. Além disso,
as compras são realizadas por meio de um super app.
Outro
aspecto no qual a China tem muito a ensinar para o setor varejista global é a
eficiência dos sistemas de entrega. Tal como o Brasil, a China é um país com
grande extensão territorial, porém, devido ao ecossistema inteligente, oferece
baixo custo, agilidade e acesso a informações no que diz respeito às entregas.
Em média, o serviço custa um dólar na etapa de last mile, última etapa do processo de envio do
produto. Vale
ressaltar que, no Brasil, os fatores velocidade e custo são fundamentais para a
experiência de compra, uma vez que, segundo o relatório 'O que os Consumidores
Esperam de uma Entrega Perfeita', elaborado em 2021, a entrega rápida e entrega
grátis são destaques na prioridade de satisfação para 42,2% e 29,8% dos
clientes, respectivamente.
Ponderando
tudo o que observei e aprendi durante minha viagem a Xangai e Shenzhen,
acredito que a principal lição que a China pode passar para o segmento
varejista global é, além da importância do planejamento e da execução, a
necessidade de metodologia e compromisso com o resultado. Se nos inspirarmos
nesses fatores, com certeza, em breve, teremos um varejo mais tecnológico,
eficiente e que proporciona cada vez mais comodidade para os consumidores.
