Social Commerce: O Próximo Passo do Consumo
*Por Luciano Freitas
O
processo de migração quase que total do varejo offline para o
e-commerce já caminhava a passos largos. Fato que se acelerou ainda mais
nos últimos meses. De acordo com a Sociedade Brasileira de Varejo e
Consumo (SBVC), durante a pandemia, o consumo online cresceu mais de
60%. E se em algum momento o consumidor valorizava apenas a qualidade do
produto, hoje, ele se torna cada vez mais exigente e quer receber uma
boa experiência diferenciada em toda a sua jornada de compra, que passa a
ter novos caminhos e significados.
O
social commerce, por exemplo, é um mercado que vem crescendo e se
desenvolvendo com rapidez pelo mundo, e promete ser o próximo passo do
consumo. No Brasil, por exemplo, o crescimento do social commerce está
ligado ao valor social que as pessoas dão para o modelo. Tudo aquilo que
gera conexão e interação tem potencial de crescimento, as pessoas
buscam isso! A edição de 2019 do Social Trends indica que hoje 96,2% dos
usuários de internet mantêm perfis nesses canais, isso significa um um
acréscimo de 18,2% em relação ao estudo de 2018.
E
apesar de ser um modelo que se destaca em várias partes do globo, vale
dizer que as peculiaridades de cada país ficam ainda mais evidentes. Na
China, por exemplo, país onde o social commerce começou a ganhar forma, a
interação para as compras em grupo acontece de uma forma diferente do
Brasil. Aqui, é preciso que as pessoas se conheçam minimamente antes de
fazer as compras, enquanto lá, é comum receber um link de um estranho,
sem haver desconfiança se aquele link é um vírus ou uma oferta real. E
assim acontece com diversos outros pontos culturais.
Mas,
mesmo assim, as exigências caminham para um mesmo lado e para lidar com
esse novo consumidor 5.0, que quer rapidez no retorno humanizado e uma
experiência ímpar, é preciso tornar as ações mais reais e entender as
dores do cliente. Aquele usuário que escolhia o item, pagava com cartão
de crédito, finalizava a compra e pagava um valor relativamente alto
para receber o produto em casa, fica de lado. Hoje, esse perfil é
substituído por um mais flexível e acessível, ou seja, entregas
gratuitas, formas de pagamento mais amplas, informações completas,
avaliações positivas, reputação da empresa e até match de valores de
vida. Todos esses como fatores decisivos.
Uma
pesquisa realizada pelo Facebook mostra que 7 em cada 10 empresas
acreditam que prestam um bom atendimento aos clientes, enquanto apenas
20% dos consumidores partilham esta opinião. Isso mostra que ainda
existe espaço para aprimorar os processos, a fim de promover ao usuário
uma experiência cada vez mais inesquecível.
É
nesse ecossistema em que todo mundo sai ganhando, que o social commerce
torna-se o formato que atende as necessidades do usuário 5.0. Com o
varejo online, a comparação de preços e a busca pelas melhores
oportunidades fica cada vez mais fácil, a possibilidade de montar sua
cesta de compras compartilhadas com amigos, familiares ou até
desconhecidos, por meio das redes sociais já é um atrativo.
Essa
é uma facilidade que bateu na porta e tem tudo para ser o próximo passo
evolutivo do sistema. No social commerce, a estratégia vai além do
comprador, mas alcança uma cadeia maior, no qual o produtor consegue
vender sua mercadoria diretamente para o cliente sem a presença de
intermediário; o comerciante local, funciona como um ponto de retirada e
movimenta o seu comércio; além do usuário, que acaba pagando bem menos
pela mercadoria enquanto compartilha ofertas com seus conhecidos,
diminuindo o tempo de entrega e sem ter de desembolsar pelo frete da
mercadoria. É, sem dúvidas, um modelo que une flexibilidade e economia
para ajudar a todos, na mão.
*Luciano Freitas é co-fundador e CMO da Facily.
23/06/2021
