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Retorno aos Escritórios: Como Esse Movimento Afeta os Shoppings?

*Por Mauricio Romiti

Após o decreto que estabelece o fim do uso obrigatório de máscaras no estado de São Paulo, o varejo segurou o ânimo: apesar de ser um passo grande para um retorno de uma vida pré-pandemia, a expectativa para o mês de abril não via grandes aumentos. Com o aumento nos casos de Covid na Europa e Ásia, a cautela persistiu. Além disso, um fator pesa muito para o retorno aos números pré-pandêmicos no shopping: o retorno aos escritórios.

Os shoppings costumam contar com sua proximidade aos grandes centros empresariais para atrair um certo número de visitantes diariamente, seja para o horário do almoço ou para resolver problemas simples no setor de serviços, como ajustar uma roupa ou sacar dinheiro. É muito mais difícil que alguém prefira sair de casa para comer no meio do dia de trabalho, e ainda mais difícil que esses problemas rotineiros sejam resolvidos logo após o horário comercial quando o trabalhador já está em casa.

Apesar disso, o retorno parcial aos escritórios já apresenta algum benefício no fluxo de clientes dos shopping centers: em março, nos shoppings da Nassau Empreendimentos, houve um crescimento de 16% neste indicador, acompanhando a adoção do modelo híbrido de trabalho nas grandes empresas. Esse retorno, ainda que parcial, dá um respiro ao varejo presencial, que conta com consumidores já fora de casa para visitar os centros comerciais.

Porém, nem tudo é tão simples: é ingênuo esperar que o mundo volte, em qualquer âmbito, a ser exatamente como era antes de março de 2020. Os trabalhadores estão cada vez mais insatisfeitos, com discussões sobre burnout cada vez mais populares. Isso não é sem razão, já que a pandemia colocou muitas pessoas para lidarem com luto e doenças sem o apoio da comunidade, isolados em casa enquanto enfrentam a inflação e observam seu poder de compra diminuir cada vez mais.

Os shoppings encontraram jeitos de sobreviver à pandemia, mas não foi fácil. Estacionamentos foram alugados para eventos fechados e áreas de vacinação e testagem, o modelo de delivery e de venda por ponto de entrega foram adotados pela grande maioria dos centros comerciais, mas ainda é complicado para alguns setores dos shoppings: os cinemas ainda não recuperaram o ritmo, tendo apenas um ou outro blockbuster que foi lançado exclusivamente nas telonas e conseguiu levar o grande público de volta às salas.

A solução pode estar em um meio termo: o modelo híbrido de trabalho consegue levar a uma maior recuperação do fluxo de clientes enquanto respeita os desejos dos funcionários e empregadores. Porém, com novas variantes surgindo e ondas de Covid que ainda podem aparecer, resta aos shoppings manter acesa a chama de criatividade que possibilitou a permanência deles durante os picos da pandemia.

*Mauricio Romiti é diretor administrativo da Nassau Empreendimentos.

20/05/2022

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