Os principais desafios do Last Mile no Brasil e as soluções encontradas para aprimorar os serviços
*Por Guilherme Juliani, CEO do Grupo
MOVE3
O e-commerce explodiu desde o
início da pandemia da Covid-19 e continua se expandindo, mesmo após a abertura
do comércio e a volta a realidade dos consumidores. Segundo uma pesquisa
realizada pela NielsenIQEbit, houve alta de 24% no número de consumidores em
e-commerce no país, na comparação com o ano anterior, e o faturamento que teve
alta de 1,6%, chegou a R$ 262,7
bilhões em 2022.
Fato é que o e-commerce
brasileiro se estabeleceu e, mesmo com uma queda no ticket médio, de 7,5%, em
relação a 2021, o número de pedidos registrou alta de 7,9%, também segundo a
NielsenIQEbit, o que significa que há uma consolidação do e-commerce como um
canal de compras muito popular entre os brasileiros.
Por outro lado, esse
crescimento e consolidação nos últimos anos apresenta desafios para as empresas
que realizam a logística dos produtos comprados pela internet. Um deles é o
Last Mile, fase que representa o último trecho de uma entrega, quando um
produto sai do centro de distribuição ou loja física e vai até o endereço final
do pedido.
Essa etapa é considerada a
mais cara do processo de entrega, representando 50% do custo logístico,
enquanto armazenagem e manuseio de mercadorias representam 20% e 15%
respectivamente.
Além do custo, a operação Last
Mile também sofre com os seguintes desafios:
Extensão
territorial do país: O Brasil é um país de
dimensões continentais, e seu tamanho por si só já é um grande desafio. Levar
uma mercadoria de São Paulo para Manaus, por exemplo, requer uma agilidade
logística e uma organização muito bem-feita, para conseguir atender aos prazos
de entrega.
Falta
de infraestrutura: Outro ponto que traz calafrios
para os operadores logísticos é a falta de infraestrutura do país. Além das
ruas e rodovias esburacadas e o trânsito nos grandes centros, ainda possuímos
muitas localidades que não possuem CEP. O que dificulta a operação e aumenta a
possibilidade de erros na entrega.
Falta
de segurança: Desafio corriqueiro para praticamente
todos os segmentos da economia brasileira, a falta de segurança impacta muito
as operações de transporte de cargas no Brasil. Apenas em 2021, foram
registrados 14.400 roubos de cargas, que somaram R$ 1.270 bilhões em prejuízos financeiros.
Desencontro nas
entregas: Por último, mas não menos importante, destaco
a falha nas entregas como um dos grandes desafios do Last Mile. Apesar do
cliente final receber notificações que o produto está saindo para a entrega,
nem sempre é possível encontrá-lo, e isso causa dificuldades para o reenvio da
encomenda, encarecendo ainda mais a operação desse produto.
Os principais desafios foram
citados, e inegavelmente impactam o desenvolvimento das operações logísticas no
Last Mile, porém, nós enquanto profissionais do setor, precisamos encontrar
soluções que tragam resultados positivos e minimizem os desafios trazidos
acima.
O Grupo MOVE3, holding de
empresas de logística como Flash Courier e Moove+ e que recentemente adquiriu
parte de empresas como Carriers e-services e Rede 1 Minuto, tem realizado
investimentos pesados para aprimorar os serviços e encontrar soluções para
nossos clientes. Os resultados têm sido extremamente positivos e aqui, trago
algumas das ações que realizamos nos últimos meses.
Ampliação
da malha de franquias: A demanda crescente do
e-commerce nos mostra que as franquias são um caminho seguro para garantir a
capilaridade e rapidez nas entregas. O Grupo MOVE3 acredita e atua nesse
sistema e estamos ampliando a malha de franqueados em todo o território
nacional, buscando por parceiros que nos permitam atender a 100% das regiões
brasileiras com eficácia. Atualmente estamos com 420 franquias, que atendem
1.071 municípios brasileiros. Nosso objetivo é aumentar em 30% o número de
franquias ainda em 2023.
Uso de
tecnologia: A tecnologia é hoje fundamental para o sucesso
da logística no país. Aqui no Grupo MOVE3 entendemos a utilização das
tecnologias como parte essencial do nosso trabalho e por isso, seguimos
investindo em soluções que nos trarão, no médio e longo prazo, ainda mais
benefícios. Porém, a inovação tecnológica dentro de uma operação logística não
precisa ser algo completamente disruptivo. Um exemplo é utilizar os dados
gerados nas entregas para criar padronização de horários e sucesso e insucesso
das entregas. Isso fará com que você seja muito mais assertivo.
Smart
lockers: Os armários inteligentes são pequenas
estruturas que funcionam como pontos de distribuição, onde as mercadorias podem
ser depositadas e retiradas. Esse modelo se tornou uma grande tendência entre
os e-commerces, por conta do método de compre e retire. Para os operadores
logístico, os smart lockers auxiliam para baratear o custo final das entregas e
diminuem o insucesso das entregas, visto que o destinatário vai até o ponto de
retirada e recolhe seu produto.
Variedade
de veículos na frota: No Grupo MOVE3 possuímos uma
gama variada de veículos em nossa frota, que são utilizados de acordo com a
distância e necessidade da operação. Em nossa atuação, utilizamos motos,
bicicletas elétricas, bicicletas, caminhões, caminhões elétricos e modalidade a
pé.
No geral, essas são as principais ações que têm
trazido resultados positivos para nossas empresas. Recentemente, conseguimos
uma queda de 33% nas devoluções e esse número reforça o bom trabalho que
estamos realizando nas diferentes frentes de atuação desde a roteirização de
nossas encomendas, até a entrega para o consumidor final. Inegavelmente existem
desafios para as operações Last Mile, mas acreditamos que um bom trabalho de
dados, organização das demandas e utilização dos recursos existentes no mercado
atualmente podem diminuir os impactos e resultar em um bom resultado
operacional.
