O Que os Passos do Seu Consumidor Podem Oferecer a sua Estratégia Omnichannel?
*Por Ricardo Fioravanti
Conhecer
as preferências e os desejos dos consumidores é uma das principais
informações que o varejista precisa ter em mãos atualmente. Contudo,
quem espera que eles digam de forma clara o que querem pode procurar uma
cadeira e aguardar pacientemente por um longo tempo. Não, o cliente não
vai revelar o que quer de forma tão fácil (até porque, em muitos casos,
ele nem sabe ainda o que deseja), mas é possível descobrir com outras
técnicas. Uma das principais é a observação do fluxo dos visitantes no
estabelecimento físico.
O
trajeto que uma pessoa faz pode dizer muito sobre ela - e, quando
combinado com outras fontes de dados, é capaz de potencializar a
estratégiaomnichannelde qualquer negócio. Esta é uma expressão que continua em alta entre os varejistas.
Há
pelo menos dez anos, profissionais e empresas debatem os conceitos
relacionados à integração de canais, tanto para venda quanto para
relacionamento. No início, era mais teoria do que prática realmente. Mas
o avanço da transformação digital, principalmente após a pandemia de
covid-19 em 2020, obrigou as organizações a implementarem iniciativas
voltadas a essa proposta. A grande maioria da estratégia, contudo, busca
levar o ambiente off-line para o on-line, possibilitando a comunicação
com a marca em canais virtuais. Mas seria mais interessante fazer o
caminho inverso. Ou seja, pensar oomnichanneldo digital para o "real".
Basta
refletir em todo o debate sobre a reabertura do comércio em todo o
Brasil em meio às medidas de distanciamento social e de prevenção. Mesmo
em um estágio pandêmico, grande parcela da população prefere fazer suas
compras nas lojas físicas mesmo com a possibilidade de adquirir os
itens em suas casas pelos canais digitais. Isso ocorre por dois motivos
simples, mas fundamentais: 1) elas confiam nos estabelecimentos em
relação aos protocolos de segurança; e 2) valorizam a experiência que
sentem ao andar pelos corredores e vitrines. Convenhamos, é um capital e
tanto que pode (deve) ser explorado pelos varejistas na construção de
seus planejamentos.
É aqui que entra a possibilidade de utilizar o fluxo de consumidores nos locais de vendas para incrementar a estratégiaomnichanneldo
negócio. Ora, se a pessoa quer ir até sua loja para pesquisar ou
simplesmente retirar algum produto adquirido pela Internet, observe
atentamente estes passos. Algumas perguntas oferecem respostas-chaves
para o crescimento das vendas. Por exemplo: quanto tempo os clientes
passam em sua loja? Quaissão os locais mais quentes, isto é, com maior
fluxo? Eles se atentam a quais produtos nas vitrines ou prateleiras?
Qual o caminho feito por quem vai apenas retirar algum item no local?
São informações que, quando combinadas, ofereceminsightsque
o varejista de uma loja física jamais imaginou que poderia ter com
tanta agilidade, como taxa de conversão, ROI de campanhas de marketing,
desempenho de categorias de produtos, entre outros. Além disso, a
integração entre o on-line e off-line fica mais facilitada, uma vez que
os indicadores são os mesmos nos dois ambientes. Desse modo, será
possível cruzar as preferências de navegação do consumidor na Internet
com sua "navegação" nos corredores de um estabelecimento físico.
O
cliente é exigente, mas o fato é que não precisa de muito para
agradá-lo - basta oferecer conveniência, praticidade e segurança. Em uma
pesquisa realizada pelaAlliNe Social Miner, em parceria com
aOpinionBox, indica que quatro em cada dez pessoas consideram como
muito importante o simples fato de a loja direcionar o ponto de venda
mais próximo para retirar algum produto adquirido pela internet. Somado a
isso, 60% dos brasileiros admitem que já compram de forma híbrida, ou
seja, buscando conciliar o comércio eletrônico com os estabelecimentos
localizados em ruas e centros de compra.
Não há dúvidas de que o conceito deomnichanneljá
é um guia para a operação do varejo. É inegável a influência que os
canais digitais têm em nossas vidas, inclusive nos hábitos de consumo.
Porém, mais do que duelar pela atenção do usuário, percebe-se que, na
verdade, a tendência é que interajam e se unam em uma só experiência.
Portanto, os varejistas precisam estar prontos para implementar esse
planejamento o quanto antes em seus negócios. Quem começar mais cedo
conseguirá se adaptar com mais facilidade aos novos desafios que
certamente surgirão.
*RicardoFiovarantié
CEO da FX DataIntelligence, empresaespecializada em visão
computacional.
29/07/2021
