O que os Marketplaces Necessitam Para Seguir Crescendo?
*Por Andrés Jara Werchau
Se
a intuição é a capacidade de antecipar um fato, a internet não fez mais
que potenciá-la, mas adicionou uma ferramenta chave: a análise de
dados. Não é mais apenas um palpite que nos diz para onde devemos ir.
São os fatos, a informação, que podem nos guiar para um caminho ainda
mais sustentável.
Mas
como a informação pode nos ajudar? Pense numa loja física. Você só
conhece o que vende, mas não o que está faltando. Se alguém saiu de mãos
abanando, você não sabe o que pode ter acontecido. Talvez a pessoa não
achou o que estava buscando, talvez os achou caros ou simplesmente não
tinha tempo no momento. E assim, haverá uma série de opções, mas sem uma
base de dados para orientá-lo a saber o que realmente aconteceu. Você
não tem certeza do que a pessoa buscava, se encontrou o que precisava,
porque saiu. Você só tem um dado: as transações feitas. E nada mais.
No
marketplace as coisas são diferentes. Você pode saber melhor onde
falhou, o motivo pelo qual não houve a venda, analisar o comportamento
dos consumidores, entender o que estão procurando e o que não encontram.
O que você precisa para isso? Fazer o seu ecossistema (seus vendedores)
crescerem na plataforma. Ajudá-los a entender as oportunidades e como
podem encontrá-las. Entender que eles podem melhorar sua rentabilidade
baseados em decisões de negócio. E assim, baseados na satisfação dos
consumidores, fazem com que este formato de benefícios recíprocos entre
plataforma, vendedores e clientes possa crescer.
Por que os marketplaces funcionam
Hoje
os marketplaces concentram 50% do comércio eletrônico do mundo.
Simplesmente porque eles conquistaram a mente dos consumidores. Quando
alguém tem uma necessidade, a primeira coisa que ele faz é entrar no
marketplace para pesquisar sobre. O marketplace tem um grande poder de
atrair a demanda, sendo assim é possível encontrar tudo.
O
primeiro passo é entrar no marketplace, a segunda coisa que deveria
acontecer é que ele encontre o produto que ele procura. E como a busca é
muito mais simples que vasculhar prateleiras, ele provavelmente procura
o melhor preço possível de um mesmo SKU.
Para
chegar a esse ponto de encontro entre vendedores e consumidores, aqui
está o interessante, ao contrário das lojas físicas cheias de produtos
diferentes que possui seu risco de estoque parado e decorrentes perdas
por não estar alinhado a demanda, no marketplace quem toma parte do
risco de venda são os vendedores, e não só o dono do lugar. Os
marketplaces geram contexto, atraem demanda, definem as regras de
funcionamento, oferecem sistemas de pagamento e métodos de envio. Eles
investem em infraestrutura. Os vendedores também arriscam: apostam que
lá poderão fazer negócios.
Cada
um, marketplaces e vendedores, abrem mão do controle sobre algo.
Enquanto os vendedores não dominam a geração de demanda (as plataformas
investem muito no seu posicionamento e atraem compradores), os
marketplaces têm um problema: não são vendedores, então não controlam a
oferta. Pelo qual, se alguém entrou e não encontrou o que ele buscava, o
marketplace perde o mais importante, a próxima compra, a fidelidade!
Talvez, o cliente não vá mais lá como primeira opção. Se não solucionar
esse problema, perde-se aí o top of mind.
O que precisam
Os
vendedores não precisam só de um lugar onde vender. Precisam de um
ambiente e que esse lugar ofereça ferramentas para poder vender mais.
Tudo que o marketplace faz para que os vendedores ofereçam seus produtos
definirá a experiência de seus clientes.
E
tudo o que os vendedores precisam, fundamentalmente, são dados. Saber o
que é procurado e não encontrado, que oportunidades existem, que
demanda insatisfeita tem os clientes. Os vendedores precisam ter um
diagnóstico: são líderes na sua categoria? Como estão diante do resto?
Eles vão bem ou vão mal? Porque com o mesmo produto e preço, um vendedor
vende mais e outro menos? O que eles precisam melhorar?
Para
ambas as pontas, a oportunidade é baseada em tudo que é buscado e não é
encontrado. Abrir os dados é a oportunidade que os marketplaces têm de
mostrar e oferecer negócios a seus clientes, seus sócios, vendedores, e
também para as marcas. Esse movimento e ajudá-los a responder perguntas,
vai beneficiar o negócio e melhorará a experiência dos clientes.
Isso
também é fundamental para as marcas. Aquelas que quiserem ingressar vão
saber como executar sua estratégia na plataforma. Não só para se
instalar como loja oficial, também para saber quem são seus
"representantes", quanto eles vendem e onde estão parados. Como eles vão
querer entrar num marketplace se não vão poder medir o que acontece lá?
A marca tem vários canais, mas ela é uma só e a experiência deveria ser
o mais uniforme e coerente em todos eles.
O
acesso aos dados assegura às marcas poder planejar uma melhor presença,
unificada e com um melhor controle da venda indireta. Aos vendedores,
medir, melhorar, encontrar novas oportunidades e, claro, ter impacto na
sua rentabilidade. Para os marketplaces, melhorar sua oferta, evitar a
demanda insatisfeita e o desfecho tão temido: a de um consumidor que sai
de mãos abanando para seguir buscando em outro lugar.
O
comércio eletrônico cresceu a níveis históricos durante a pandemia.
Cada vez é mais competitivo entre os vendedores e marcas, mas também
entre os marketplaces. Ao final, tudo se trata de melhorar a experiência
dos compradores, mas isso se alcança profissionalizando os vendedores e
com informação. Isto resulta na maturidade e qualidade do marketplace.
Só os líderes ousaram trilhar o caminho da inteligência coletiva. Todos
com o objetivo de atrair o consumidor que está buscando o que eles
possuem. Felizmente, alguém com dados disponíveis e a possibilidade de
antecipar-se aos fatos, estará esperando por eles.
*Andrés
Jara Werchau é co-fundador e CEO da NUBIMETRICS.
15/09/2021
