O Poder é do Consumidor. Como Seu Varejo Está Preparado para Isso?
*Por Ricardo
Fiovaranti
Era um movimento que já
acontecia, mas ganhou ainda mais força a partir da necessária digitalização
durante a pandemia de covid-19. Os canais digitais impulsionaram suas vendas
nos últimos dois anos e diferentes processos de nossas vidas passaram a ser mediados
com o apoio da tecnologia. Do filme que assistimos no fim de semana ao
trabalho, passando por educação, saúde e serviços públicos, tudo agora conta
com soluções digitais.
Isso, claro, trouxe grandes
transformações, e no caso do varejo, remodelou por completo a relação entre
consumidores e lojistas. Agora o poder de escolha e de compra está com a
pessoa. Resta aos gestores se preparem para essa nova realidade.
Uma pesquisa global conduzida
pelo Institute for Business Value e pela National Retail Federation
(NRF) já mostra que praticamente três quartos dos consumidores (72%) utilizam a
loja física no método de compra pela possibilidade de "sentir" o produto,
escolher na prateleira e vitrine e poder comprar no mesmo instante. Além disso,
eles estão mais engajados (44% afirmaram que escolhem as marcas de acordo com
seus valores), e claro, bem mais digitais em todo o processo (27% já realizam a
compra híbrida, ou seja, mesclam os canais digitais com tradicionais).
Os dados dão uma amostra de
como as pessoas ao redor do mundo estão se relacionando com as marcas. Aquela
ideia de tentar impactá-las da mesma forma e esperar que se dirijam ao
estabelecimento já ficou para trás há muito tempo. O cliente não tem mais a
razão, para usar um ditado bastante conhecido. Agora ele tem o poder. Se por
algum motivo não ficar satisfeito com sua experiência de compra, não vai
hesitar em trocar e pesquisar novas marcas para se relacionar. Os consumidores
tomaram o lugar mais importante na jornada de compra: o centro!
Isso significa que toda a
estratégia do varejo precisa ser direcionada para resolver as demandas e os
desejos de seu público. Ou seja, é preciso haver esforço nas áreas de
marketing, operacional e comercial para garantir um tratamento personalizado a
todos que, de alguma forma, se relacionam com sua empresa. Não se trata apenas
de chamar pelo nome nas campanhas digitais, ou oferecer cupom de desconto. É
necessário avaliar a experiência como um todo e garantir ações que coloquem as
pessoas nessa posição de destaque desde o momento em que pensam em comprar
algo.
Evidentemente, não é uma
tarefa fácil. Exige alto grau de compreensão dos diferentes perfis de clientes.
É preciso descobrir seus hábitos, as preferências de produtos, os conteúdos que
gostam de consumir, entre outras informações. Em suma: é fundamental coletar
dados.
Nesse ponto, a tecnologia pode
-- e deve -- ser uma aliada nesse processo, uma vez que consegue coletar,
processar, tratar e cruzar diferentes análises comportamentais tanto dos canais
digitais quanto da própria loja física. A partir desses insights, basta
direcionar o planejamento para oferecer conveniências que geram resultados
genuínos tanto para o cliente quanto para o negócio.
Muitos gestores ainda têm
dificuldades de compreender essa transformação, acostumados com hábitos antigos
e arraigados. Mas é um caminho sem volta. O lojista pode remar contra a maré ou
aproveitar essa onda e surfar junto. No mundo dos negócios, a segunda opção
sempre é mais vantajosa -- ainda mais quando se trata de preferências e
comportamentos do consumidor.
Convenhamos, não faz sentido
querer lutar contra alguém que poderia ser um cliente em potencial. Até porque
esse poder todo pode se refletir em ótimas oportunidades para aqueles que sabem
respeitar as escolhas de seu público. Basta se preparar para isso!
*Ricardo Fiovaranti é CEO
da FX Data Intelligence.
