O Engajamento Online em Tempos de Crise
*Por Carlos Busch
O
isolamento social tem sido adotado em diversos estados e países como medida
preventiva para combater a contaminação do COVID-19, seguindo
a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com o
isolamento, os canais digitais tornaram-se ainda mais fundamentais, o que levou
a um aumento o volume de dados da internet no país. Segundo dados do
Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), em 23 de
março o volume de dados chegou a 11 terabits por segundo (Tb/s). Além disso, o
NIC observou uma distribuição uniforme do pico de tráfego, que antes era
atingido após às 21h e passou a ser mais constante ao longo de todo o dia.
Desde
o dia 12 de março alguns e-commerce registraram uma alta de até 180% nas vendas
nas categorias alimentos e bebidas e beleza e saúde, segundo
dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). As
compras online têm sido uma alternativa ao isolamento, já que diminuem os
riscos de contágio devido à redução de contato. E isso vale para qualquer tipo
de compras.
Neste
cenário, diversos questionamentos e incertezas surgem, principalmente em
relação aos negócios. Para os varejistas, interagir com o cliente, que não está
mais indo às lojas físicas e se encontra exclusivamente no online, é um desafio
que precisa ser encarado. Mas como engajar o consumidor que está online em meio
a uma crise desconfortável para todos? Como suportar o alto volume sem perder a
qualidade, mantendo o ecommerce funcionando mesmo em tempos de crise? E mais, como se destacar entre as milhares de lojas
online e marketplaces?
Acredito
que a flexibilidade e confiança são a chave para o atual momento. Flexibilidade
na operação, no atendimento, na entrega e nas formas de pagamento. E confiança
na comunicação com os clientes e na relação com os colaboradores.
Crie experiências online atreladas à sua marca
Com
os consumidores online, as marcas não podem mais depender apenas de estratégias
de lojas físicas. Mais do que nunca é preciso pensar digital, ter os clientes
no centro da estratégia e ter uma força de trabalho engajada em elaborar novas
formas de se conectar com os clientes.
Se
possível, diversifique as formas de pagamento aceitas, deixe o cliente mais à
vontade para escolher como pagar. Se a flexibilidade de pagamento não for
possível, ofereça cortesias ou descontos nas compras online. Outra solução
criativa é promover "gincanas" em seus canais como desconto ou
brindes para os primeiros clientes que assinarem ou comprarem um serviço da sua
marca, por exemplo.
Aumente
a proatividade em relação as necessidades dos consumidores. Os canais de
relacionamento são muito importantes, se precisar, disponibilize novos canais,
por exemplo. É preciso entender o momento e as necessidades dos consumidores,
mostre que sua marca está ali para atender as solicitações deles. Neste
quesito, a sua equipe de atendimento é a linha de frente da empresa, eles
precisam estar motivados e engajados em prover o sucesso dos clientes. Faça
reuniões e esteja aberto para ouvi-los, com certeza eles terão as melhores
ideias sobre o que os clientes buscam.
Algumas
empresas têm apostado em soluções voltadas diretamente para o cliente final.
Por exemplo, lojas de cosméticos estão fazendo "lives", em canais
como o Instagram, com maquiadoras fazendo tutoriais e dando dicas gratuitas
para os clientes. Esta é uma forma divertida e inteligente de compartilhar
conhecimento sobre seus produtos e se aproximar dos consumidores.
O
perfil do consumidor após o COVID-19 será diferente do que estávamos
trabalhando. Antes existia, para alguns varejistas ou ainda empresas de bens de
consumo, a resistência de investir frontalmente em canais mais ágeis de
atendimento, canais de compras/vendas online e uma comunicação mais digital. O
que vimos nas últimas semanas no mundo todo, é que estas iniciativas, antes
oportunidades, agora passaram a ser o modus operandi do mercado.
Provavelmente após o COVID-19 elas serão mais intensas ainda, se comparadas aos
períodos anteriores.
Vale
ressaltar ainda que os desafios das empresas daqui para frente serão mais
amplos. Não bastará estarem com vendas pela internet, atendimento com bots etc,
mas sim oferecer a melhor oferta personalizada para cada consumidor. Para isto,
recursos como inteligência artificial , dinamismo de personalização de conteúdos de forma
consistente na visão única dos clientes.
Revise os fluxos e adote melhores práticas para
suportar os altos volumes de tráfego
1
- Reavalie fluxos críticos para a operação do seu e-commerce, faça reuniões
recorrentes com as áreas chave da operação como a liderança, área técnica,
produto, suporte e atendimento. Avalie os riscos em conjunto e faça os ajustes
necessários para não ter surpresas desagradáveis.
2 - Com o
trabalho remoto ampliado durante a quarentena, a sua VPN está sob um grande
teste, por isso, converse com os fornecedores e solicite um suporte adicional.
Além disso, restrinja o login a funcionários que têm papel crítico na
operação, para poder resolver problemas rapidamente.
3
- Se você tem equipes trabalhando em diferentes fusos horários, desenvolva uma
estratégia para garantir o maior suporte possível ao website, com o time que
você tem atualmente. Ou adote horários flexíveis, para que a cobertura do
suporte ultrapasse o horário comercial. Isso garante uma maior cobertura
operacional durante qualquer disrupção - independente da hora em que ela
ocorra.
4
- Desenvolva protocolos para guiá-los no caso de acontecimentos de impacto,
como a atual crise. Inicie com diversos cenários de possíveis crises e crie,
junto de sua equipe técnica, de planejamento e de comunicação (RP), maneiras de
responder a eles. As ações de respostas precisam contemplar tanto o cenário
interno, através de ajustes no fluxo do trabalho, quanto o externo, na
comunicação com os clientes. Antes, verifique como seus serviços funcionam com
100% de visibilidade. A Salesforce disponibiliza uma plataforma online e
gratuitapara
obter informações em tempo real sobre desempenho e segurança do sistema.
Estamos
vivendo um momento em que as coisas mudam muito rapidamente e as incertezas têm
sido maiores que as certezas. Por isso, mais do que nunca é preciso união,
cooperação e compartilhamento de conhecimento, só assim conseguiremos sair
desta crise fortalecidos.
*Carlos Busch é vice-presidente de vendas em varejo e bens de consumo da Salesforce Brasil.
