Loyalty - Estratégia Para Mudar A Relação Das Empresas Com Seus Clientes
* Por
Christiano Ranoya
Muito se fala sobre o cliente ser o centro das estratégias das
empresas, mas o que realmente é colocado em prática para isso acontecer? Uma
pesquisa liderada pelo CMO Council, citada pelo artigo "6 Ways to Build a
Customer-Centric Culture" da Harvard Business Review em 2018, identificou
que somente 14% dos profissionais de marketing acreditam que a centralização no
cliente é uma estratégia praticada por suas empresas. Esse resultado não é
surpreendente e o cenário possivelmente permanece sem grandes alterações,
afinal uma mudança desse porte pode demorar décadas para acontecer, pois
geralmente demanda mudanças radicais nas estruturas organizacionais e culturais
das empresas.
No livro "Strategy from the Outside-In",George
S. Day e Christine Moorman identificam dois tipos de estratégias para atingir o
objetivo geral, que é criar valor para o acionista. A maioria das empresas
nasceu e foi construída sob a perspectiva inside out, com apego a sua
história, produtos e serviços. É estabelecida a ideia de que as forças e
capacidades internas da organização farão com que a empresa, seus produtos e
serviços prevaleçam quando aparece qualquer tomada de decisão.
Em outra direção, a estratégia que prioriza o cliente é conhecida
como outside in, em português "de fora pra dentro", e se baseia na
criação de valor ao cliente, focando na otimização da experiência e
relacionamento. Todas as decisões da empresa, sejam sobre a criação de produtos
ou de reestruturação de processos, por exemplo, são orientadas por essa
estratégia. Nesse caso, toda a cultura organizacional é baseada no cliente e no
mercado.
Esse movimento tem uma razão de ser: o novo papel do cliente, resultado
de mais consciência nas relações de consumo com a era digital e de maior
engajamento via multiplataformas em tempo real. A transformação digital,
inclusive, moldou um novo tipo de cliente.
O cliente ESG, mais engajado com questões ambientais, sociais e de
governança corporativa, como diz a sigla em inglês, também passou a considerar
com mais entusiasmo pontos como propósito e transparência por parte das
empresas. Evoluir a experiência e torná-la mais relevante é o que efetivamente
gera crescimento e sustentabilidade nos negócios.
Por isso, é necessário pensar e agir de forma mais holística
quando o assunto é a lealdade dos clientes, para fortalecer os laços racionais
e emocionais. A combinação desses fatores é determinante para o sucesso de uma
marca. E é nesse tema que encontramos uma lacuna gigantesca entre a teoria e a
prática da fidelização.
É preciso repensar o papel do loyalty como valor compartilhado e
considerar sua real capacidade para coordenar todas as ações com o cliente.
Loyalty geralmente é tratado de maneira isolada pelas empresas. Resume-se,
normalmente, a programas baseados em pontos, descontos, cashbacks ou outras
recompensas financeiras, que são benefícios transacionais que buscam
impulsionar a compra recorrente, aumentando a frequência e o ticket médio.
Porém, isso acaba levando ao esquecimento de que loyalty também é, sobretudo,
conexão emocional, de pertencimento e de propósito.
A partir do momento que essa nova cultura é estabelecida, um
programa de fidelização torna-se um centro que consolida dados, percepções do
cliente e gera insights que devem ser amplamente utilizados por toda a empresa.
O loyalty deixa de ter uma visão apenas externa (de relacionamento com o
usuário) para se tornar uma ferramenta de melhorias para as empresas.
O bom desempenho das companhias, vale lembrar, está diretamente
ligado à satisfação de seus clientes e à capacidade de evolução contínua das
organizações - com base em feedbacks, gestão data-driven e estreitamento do
relacionamento entre as marcas e seus clientes a partir das iniciativas de
loyalty.
Empresas que não investem em Customer Experience e Loyalty já
estão perdendo competitividade. Por isso, questione-se: qual o valor que você
está entregando ao seu cliente? E mais importante: o cliente percebe esse
valor?
*Christiano Ranoya é CEO da Indico.
