Como a Inclusão Digital das Cadeias Produtivas Auxilia o Setor de Alimentos e Bebidas
*Por
João Alfredo Pimentel
Com o início da
pandemia de Covid-19, a transformação digital em diversos setores da economia
teve uma aceleração notável, seja por meio da automação de tarefas, do
armazenamento em nuvem ou até mesmo do desenvolvimento de aplicativos, as
empresas buscaram novas formas de digitalizar seus processos tradicionais. No
setor de alimentos e bebidas, um dos mais importantes do país, não foi
diferente.
De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria
de Alimentos (ABIA), a indústria brasileira de alimentos e bebidas registrou
crescimento de 12,8% em faturamento no ano de 2020, em relação a 2019,
alcançando R$ 789,2 bilhões. No entanto, o segmento de Food Service
sofreu muito com o fechamento dos restaurantes durante a pandemia.
Diante deste cenário, notou-se um colapso na cadeia produtiva, com
a falta de suprimentos e de sincronização de processos produtivos entre os elos
da cadeia de supply chain -- fluxo de materiais e atividades relacionadas ao
longo dos processos de produção --, que estavam desalinhados. Com isso, o
processo de digitalização foi o recurso encontrado para a sobrevivência de
diversos negócios, além de ter a chance de aumentar a conectividade de todas as
pontas. Olhando à frente e já pensando no fim da pandemia, as companhias estão
acelerando ainda mais o processo de criação de novos canais omnichannel
- canal de atendimento virtual e físico.
Diariamente, percebemos as transformações sentidas pelas cadeias
produtivas no comportamento do cliente. O consumidor acelerou o consumo de
alimentos e bebidas por meio de aplicativos B2C, por exemplo. Assim, a cadeia
produtiva, que envolve indústrias, distribuidores e Food Service, viu a
necessidade de digitalizar também os seus processos de abastecimento na cadeia
de distribuição.
Nas tarefas tradicionais, como vendas da cadeia de distribuição,
atendimento ao cliente, serviços e relacionamento, observou-se como os
processos não eram digitalizados e como isso afetava o crescimento das
empresas. Por isso, soluções tecnológicas, como marketplace, armazenamento
digital, logística, fidelização e Inteligência Artificial, devem ser olhadas de
forma positiva para a redução dos custos das cadeias de distribuição. E este é
o papel da tecnologia: apresentar novas soluções que se tornaram
imprescindíveis para o setor.
Durante a crise, as cadeias produtivas tiveram um impacto
profundo. Com os últimos acontecimentos da economia mundial, como a alta do
dólar e do petróleo, as dificuldades de importação, a falta de suprimentos e
insumos nas indústrias e a alta da inflação, as indústrias passaram a focar,
alternadamente, entre consumo do mercado local e consumo do mercado
internacional, buscando soluções para aumentar ou, pelo menos, manter as suas
margens de lucro.
Todos esses fatores combinados na economia demonstram uma
necessidade urgente para que todos os envolvidos na cadeia de distribuição
busquem a reinvenção de suas demandas com processos mais eficientes, produtivos
e digitais. A tecnologia só tem a colaborar com a cadeia produtiva. Além disso,
contribui para o aumento de sua produtividade nos canais omnichannel,
destravando todo o potencial de consumo para os clientes.
*João Alfredo Andrade
Pimentel é fundador da 6place e
investidor-fundador do SCALEXOPEN.
