Boato Não é Fato. Afinal, Contra Fatos Não há Argumentos!
*PorEdison
Tamascia
Com o número crescente de pessoas com coronavírus (COVID 19), a
temporada de boato está em alta no mundo e também no segmento farmacêutico. Não
que isto seja uma novidade, afinal boatos sempre existiram. Mas a dimensão que
os boatos têm tomado na vida de nossas pessoas em nosso setor vai muito além do
habitual.
Sempre que há oportunidade, digo aos meus amigos e, sobretudo,
aos dirigentes das redes associadas à Febrafar que, para melhor compreensão do
que verdadeiramente ocorre, é extremamente fundamental saber distinguir as
informações que lhes são apresentadas, pois pode tratar-se de um simples boato,
uma opinião própria ou um fato concreto.
De acordo com o nosso dicionário, boato é uma novidade
que circula na boca do povo sem origem que a autentique; opinião é uma
maneira particular de pensar sobre um assunto; e fato é uma ação, algo
realizado, o que é verdadeiro. Se prestarmos atenção, verificaremos que os
boatos têm sempre uma conotação negativista, sendo, acima de tudo, relacionados
a uma grande ameaça. Afinal, estamos sendo sistematicamente abordados com
notícias do tipo:
*"Tal medicamento cura do coronavírus";
*"O Programa Aqui Tem Farmácia Popular não terá mais
medicamentos";
*"Vão acabar os medicamentos nas farmácias";
*"Um amigo disse que os dados que estão informando são
mentirosos";
*"Tudo faz parte de um grande plano de um determinado
grupo de pessoas";
*"Água quente pode curar a doença"; entre inúmeras
outras.
Ou seja, se eu ficar aqui descrevendo todos os boatos que têm
circulado, nos últimos tempos, certamente precisaria de centenas de páginas
para relacioná-los. Mas é correto afirmar que todas as manchetes acima
mencionadas são apenas boatos. Ainda que algum boato possa tornar-se fato um
dia, enquanto isto não ocorre definitivamente não vale a pena perdermos um
segundo do nosso precioso tempo discutindo-o, nem tampouco nos contaminando por
esse tipo de informação que, a bem da verdade, só nos levará do nada para lugar
nenhum.
Já a opinião, contudo, é livre. Cada um de nós possui o direito
de ter uma visão sob quaisquer aspectos com relação a uma informação. E não
existe opinião certa ou errada, até porque cada indivíduo tem o livre arbítrio
para pensar o que quiser sobre um determinado assunto.
Exemplo: eu posso opinar que o ingresso das empresas
multinacionais no varejo farmacêutico brasileiro em nada alterará o processo
concorrencial existente hoje no comércio nacional. Outras pessoas podem,
livremente, acreditarem o contrário. No entanto, não dá para dizer
assertivamente quem está certo e quem está errado, pois opinião é apenas a
transmissão de um pensamento, de uma visão que a pessoa tem sobre um assunto.
Agora, fato é algo verídico. E contra fatos não há argumentos.
Um bom exemplo de fato incontestável é que vivemos tempos de profunda
preocupação para toda sociedade. Temos experimentado uma situação de grande
preocupação. Os números das doenças são crescentes e medidas devem ser tomadas
para que o impacto seja cada vez menor para todos.
Contudo, diante dessa situação, cabe as pessoas uma preocupação
extra com as informações que divulgam. Há a necessidade de buscar embasamento
no que falam e replicam. Não é toda informação que é verídica. E mesmo quando
fontes são citadas é preciso averiguar, saber dados como data que foi
publicada, se os números não foram alterados e se podemos confiar nas
informações.
As pessoas devem se atentarem e evitar replicar informações no
calor das emoções e se preocupar com o que proliferar, pois boato não é fato,
afinal, contra fatos não há argumentos!
Edison
Tamascia preside a Febrafar
(Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias) e
a Rede Drogarias Ultra Popular.
