As Tendências da Apas Show 2022: a Tecnologia Não Substitui o Talento Humano, Mas o Aprimora
*Por Robson Munhoz
A Apas Show realizada mês
passado, em São Paulo, teve um gosto diferente este ano. Apesar de ser a 36ª
edição, essa foi a primeira versão da tradicional feira de supermercados a
acontecer depois de mais de dois anos de uma pandemia que mudou paradigmas, em
todo o mundo, tanto em questões de tecnologia quanto de novas formas de
convivência.
E essa nova e tão aguardada
edição não poderia ser mais emblemática. Sob o tema "O humano é essencial", a
Apas Show 2022 veio nos lembrar da importância da indústria e do varejo para a
retomada econômica de que o Brasil tanto necessita, mas sem perder a essência
do que move esses setores: o ser humano, seja o consumidor ou quem o atende.
Nesse sentido, algumas
tendências discutidas na feira devem nortear o que esperamos ser o começo do
pós-pandemia. Grande parte delas funcionou nos meses mais duros da crise
sanitária como uma espécie de teste para o que se coloca, em definitivo, a
partir de agora.
Uma dessas tendências são os
novos hábitos do "consumidor empoderado": ao receber o varejo para dentro de
casa em um clique - ou um telefonema --, ele gostou da experiência de autonomia
e não pretende largá-la tão cedo. Poder comprar via aplicativo e receber o
produto em casa em alguns dias, horas ou minutos depois veio para ficar. Assim
como a compra com retirada no local.
Outra tendência, e que bem
pode se apresentar como desafio, é o exercício da colaboração ainda mais
intensa entre varejo e indústria para atender o consumo. Sobretudo de agora em
diante, ambos têm de fazer seu plano de negócios de forma combinada, em um
caminho que demanda mão dupla, já que esse mesmo consumo vai requerer uma
evolução sobre aspectos que, até antes da pandemia, estavam fora do escopo de
questionamento: onde colocar o estoque - em um centro de distribuição, ou em
uma loja perto do consumidor? E onde será essa compra: próximo de onde o
cliente mora, ou de onde ele trabalha?
É como se processos
experimentados ao longo da pandemia estivessem agora consolidados, com a
diferença de que, nos meses anteriores, não sabíamos quanto tempo mais a
Covid-19 persistiria. Com o avanço da cobertura vacinal e a retomada de
atividades, esperava-se que também o varejo físico retornasse aos tempos
pré-2020. Mas o fato é que aquele formato de consumo mudou - agora são
múltiplos formatos, e, acredite, em um cenário sem volta. A evolução e a multiplicidade
das formas de pagamento que o digam.
Portanto, que tendência
vislumbrar para as lojas físicas? O que a Apas Show trouxe sobre isso foi o
debate sobre uma diversidade de formas de atuação, com o varejo operando agora
também como mini-centrais de estoque e de abastecimento capazes de atender o
e-commerce. Ou seja: não basta mais ser apenas "loja".
Essas são tendências que
reforçam a transformação nas cadeias de abastecimento e que sublinham a
necessidade de se receber da indústria e estocar de forma ágil - com foco nas
demandas do humano, mas sem perder de vista o que a inteligência artificial
pode oferecer. A evolução a fórceps exigida pela pandemia mostrou e tem
mostrado que adotar ferramentas e serviços capazes de atender esse novo modelo
de estoque não pode prescindir das cobranças de um consumidor mais exigente -
e, agora, independentemente de onde ele demanda.
O clima nessa primeira Apas
Show em dois anos foi de otimismo: teve evento lotado, assim como empresas
novas e tradicionais no mercado marcando presença ativa. A inflação em alta, o
impacto dela nos preços e a oferta menor de matéria-prima não foram ignorados,
absolutamente, mas o horizonte traz possibilidades de mudança e de consolidação
do que tem sido testado aqui. E com uma certeza embalando todo esse processo:
nenhuma tecnologia substitui completamente o ser humano e o talento.
*Robson Munhoz é Chief
Customer Service Officer (CCSO) da Neogrid.
