Alerta no Varejo: Como Evitar o Prejuízo de R$ 23,26 Bilhões Usando Dados?
*Por
Rodrigo Castro
A
pesquisa de prevenção de perdas de estoque realizada pela Abrappe
(Associação Brasileira de Prevenção de Perdas) e Abras
(Associação Brasileira de Supermercados) aponta que o varejo
brasileiro perdeu aproximadamente R$ 23,26 bilhões, o que representa
1,33% sobre o faturamento bruto das empresas. Os dados mostram que
esse prejuízo, apesar de ter origem operacional, é um tema
estratégico, pois pode definir a lucratividade ou o prejuízo das
organizações, principalmente para alguns segmentos que operam com
margens mais enxutas, como o varejo alimentar, por exemplo.
Quando
se olha a distribuição das perdas, a pesquisa aponta que, em geral,
30,19% são quebras operacionais, ou seja, decorrentes de problemas
da operação, como vencimentos e avarias. O restante ocorre por
causas desconhecidas, que podem envolver o sumiço do item comprado
durante o seu fluxo logístico ou também por algum erro
administrativo que gerou inconsistência dos resultados. Vale
comentar que esta proporção varia muito entre os segmentos.
No varejo alimentar, por exemplo, as quebras operacionais tendem a ser mais altas, chegando a 75,89% do total para os hipermercados e 71,9% para supermercados convencionais. Isto acontece devido à alta perecibilidade do sortimento. O setor de FLV (Frutas, Legumes e Verduras) é o que mais sofre impactos de quebra operacional, chegando a 90% do total das perdas, seguido das Drogarias, que registram perdas de 67,32% nesta modalidade.
Analisando
este cenário, a prevenção de perdas em varejistas com alta quebra
operacional deve focar na diminuição de problemas internos que
causam o desperdício, como o excesso de pedido, o sortimento
inadequado para o ponto de venda, a precificação incorreta, o
funcionamento incorreto de equipamentos de refrigeração e o excesso
de exposição do item. Isto se faz com uso intensivo de dados que
geram insights para que a prevenção de perdas possa auxiliar o
negócio na tomada de decisão, baseando-se não apenas na geração
de receita, mas também na preservação da rentabilidade.
Do
outro lado estão os varejistas com altas perdas desconhecidas. Os
segmentos de esportes, eletroetrônicos, móveis e os magazines
apresentam as maiores proporções. Em esportes, o índice chega a
89,19%. Em eletroeletrônicos e móveis, o volume alcança a casa dos
86,19% e nos magazines, gira em torno de 86,5%. Neste caso, o
tratamento das perdas desconhecidas é mais complexo por dois
fatores. Em primeiro lugar, a apuração é demorada, pois depende da
realização de inventários. Em segundo, gera dúvidas devido aos
erros de contagem e consequente inacuracidade dos resultados.
Logo,
varejistas com este perfil precisam ter maior intensidade de
inventários e traçar hipóteses claras para as causas, pois, ao
contrário das quebras operacionais, isso não é claro. Os Produtos
de Alto Risco (PAR) têm alto valor agregado e amplo desejo de posse.
Assim, a hipótese mais factível é de furto na cadeia de valor.
Itens de baixo valor agregado e que possam ser confundidos na
contagem, como, por exemplo, iogurtes de diferentes sabores, podem
ter sido contados de forma errada.
É
importante que as áreas de prevenção de perdas direcionem esforços
e investimentos baseadas no entendimento de onde a redução dos
prejuízos nos estoques irão gerar mais valor para os negócios.
Acompanhar essas falhas deve ser um mecanismo de preservação da
rentabilidade do varejista em busca do conceito de geração de
valor, ou seja, ampliar a margem do negócio.
*Rodrigo
Castro é diretor de Business Performance & Innovation (BPI) na
ICTS Protiviti.
20/08/2021
