8 Dicas para Ajudar o Varejo a Driblar a Inflação com Foco no Consumidor
*Por
Adriano Araújo
Tempos adversos
exigem dos varejistas uma ampla compreensão das
necessidades e hábitos dos clientes, assim como a coragem de mudar as práticas
comerciais para que o ônus de fatores externos como a inflação não seja apenas
repassado aos consumidores. Esses momentos históricos também estabelecem a
urgência de um novo pensamento, novas lideranças e novas aplicações de insights
por meio de uma legítima abordagem Customer First. No entanto, cada uma
destas etapas deve ser embasada na ciência de dados e implementada com
prioridade máxima.
Pensando nisso, recomendo 8 estratégias e
táticas-chave que os varejistas devem seguir neste momento de pressão sob as taxas
inflacionárias:
1. Atualize
seu entendimento sobre cliente
Repense as
segmentações dos clientes e como se comunicar com eles. Nem todos sentirão a
inflação da mesma forma e muitos só irão perceber o impacto no valor total da
compra quando chegarem ao caixa. Assim, cabe aos varejistas avaliarem os novos
hábitos de compras, por exemplo:
- Mudanças na
frequência, gasto e fidelidade - incluindo retenção ou churn;
transformações na segmentação dos clientes, como o aumento da quantidade
de consumidores sensíveis a preços e o impacto nos gastos por pessoa;
novos canais de compras e mudanças nas vendas por formato/ bandeira ou
canal em função do novo comportamento do consumidor; e atitudes,
necessidades e mentalidades resultantes da experiência durante a pandemia.
2. Revise a
estratégia do consumidor e plano comercial
A partir desta
atualização do conhecimento sobre o consumidor, os varejistas também devem
revisitar sua estratégia e se fazer perguntas para mover seus negócios, como:
- Ainda estamos
focados no grupo estratégico certo de clientes ou devemos mudar para
pensar mais sobre os consumidores que buscam melhor custo-benefício ou que
são sensíveis a preços? Devemos melhorar alguma de nossas promessas da
marca aos clientes, por exemplo, 'preços baixos todos os dias', sabendo
que os compradores estão buscando por um valor ainda melhor? E como
podemos fazer isso?
3. Repense
sua estratégia e táticas de categoria
Os resets de
categoria estão entre as táticas mais significativas para ajudar os varejistas
a garantir que eles mitiguem o repasse total da inflação para os clientes;
esses ganhos e benefícios são perceptíveis em médio prazo. Para isso, é
fundamental o uso da ciência
e das estruturas embasadas em dados para definir estratégias de
categoria e produto buscando o equilíbrio correto de variedade, inovação, marca
própria, preço e promoção.
- A substituibilidade é
a ciência de como os compradores únicos ou similares percebem um produto,
olhando para compras cruzadas entre dois itens da mesma categoria, na
mesma cesta ou separada, para determinar quais são substituíveis ou
complementares. Ela comprova que até 20% do sortimento pode ser excluído
sem consequências negativas para os clientes ou para os resultados
comerciais. A aplicação desta ciência faz com que o sortimento seja ainda mais efetivo,
permitindo a eliminação de produtos duplicados que atendem a uma mesma
demanda. Isso melhora a percepção de valor e a experiência na loja,
simplifica as escolhas dos consumidores e auxilia os clientes a
encontrarem os produtos certos para as suas necessidades e orçamentos.
Também cabe aos
varejistas ajudar os
clientes a encontrar alternativas mais baratas, por exemplo,
usando a ciência de complementaridade
de produtos e serviços de API para permitir recomendações personalizadas em
todos os aplicativos e canais online.
4. Ofereça
mais Marcas Próprias
A presença e a
disponibilidade de produtos de marca própria é uma grande defesa contra a
inflação, com benefícios até maiores do que uma cesta total mais barata no
caixa. Uma ampla variedade de itens de marca própria também pode proporcionar
uma sensação de poder de escolha dentro do sortimento do varejista, algo que,
por si só, já melhora a percepção de valor. Mesmo quando um cliente não opta
por um produto da marca da loja, a consciência de uma alternativa de melhor
preço/qualidade tem um impacto positivo na percepção do cliente, especialmente
em tempos inflacionários.
Assim, os
varejistas devem apresentar uma real vantagem de preço dessas marcas (por
exemplo, entre 15-20% mais barata que as demais) e posicionarem elas com um
fluxo lógico e consistente na prateleira, sempre à esquerda das marcas
nacionais. Para os estabelecimentos que não tiverem uma marca própria, a mesma
estratégia vale para uma marca de entrada.
5. Garanta
a competitividade dos preços nos itens certos
A lista KVI,
composta pelos itens que contribuem para a percepção de valor, deve ser
revisitada considerando as necessidades e hábitos dos clientes, em especial
neste momento, visto que muitos deles podem ter se alterado durante a pandemia.
Os clientes
sensíveis a preço percebem que esse período inflacionário é particularmente
difícil, de modo que um
investimento maior nos preços do KVI, assim como reinvestir em preços para produtos
essenciais e nas categorias que impulsionarão o volume podem
ser boas estratégias.
Outra boa maneira
de manter-se competitivo é introduzir
preços exclusivos para membros de forma a recompensar a
fidelidade desses clientes, otimizando o investimento e melhorando a percepção
da vantagem. Uma abordagem eficaz através de ciência de dados ajudará a definir
e converter algumas
promoções para reduzir o preço e aumentar a percepção de preços baixos. Importante
que os canais online reflitam também os preços na loja e não haja divergências,
particularmente nos KVIs.
6. Revisite
o Plano de Promoções
Use a ciência de
dados para balancear como os preços e promoções trabalham juntos a fim de
entregar valor ao cliente. Promoções ruins demandam maior trabalho na loja,
aumentam a complexidade e podem prejudicar essa percepção. Aos varejistas cabe
a missão de oferecer menos promoções, porém mais eficientes. Algumas categorias
e produtos funcionam em uma "estratégica baseada em PBTD (preço baixo todo
dia)", enquanto outras se beneficiam mais com promoções.
Promoções são
necessárias para entusiasmar os consumidores e estimular a demanda em
determinadas categorias -- mas não em todas. Por isso, obter a fórmula de
promoção versus preço em cada categoria usando Customer Data Science
será ainda mais necessária. Assim, os varejistas devem criar ofertas personalizadas e promoções
direcionadas para aumentar a frequência e os gastos. Um plano de comunicação que equilibre os
drivers de imagem de preço pode ser usado tanto na mídia em
massa quanto em comunicações personalizadas.
- É importante que os
varejistas facilitem o entendimento das promoções, já que a maioria
executa diferentes tipos ao mesmo tempo como descontos percentuais, "Leve
Mais Pague Menos", etc. Oferecer muitas ofertas gera confusão nos
consumidores, é complexo para os operadores e impacta custos em toda a
empresa. No universo dos clientes dunnhumby, por exemplo, as melhores
práticas se concentram em oferecer consistentemente apenas de 3 a 4 tipos
de promoção. A simplicidade ajuda a melhorar a percepção de valor para os
clientes .
Além disso,
durante os tempos inflacionários, todas as formas de combos devem ser aplicadas
de forma muito estratégica. Por exemplo, algumas promoções "Leve 3 /Pague 2"
não aumentam o gasto total da cesta, mas outros formatos de promoção podem
aumentar.
Não se
esqueça dos produtos naturais e frescos. À medida
que os consumidores enfrentam a inflação variável mesmo dentro de uma
categoria, é importante que os varejistas instituam preços seletivos e esforços
promocionais para perecíveis e itens frescos no mix de cestas.
7. Sua
'Transformação Digital' também significa adicionar serviços úteis
Hoje e no futuro,
as expectativas dos clientes em torno do digital não se limitam apenas aos
canais online. Inovações digitais que facilitem as compras, sejam mais rápidas,
seguras e de menor contato serão mais eficientes.
- Cada vez mais, os
clientes buscam varejistas que oferecem aplicativos úteis e que facilitem sua
jornada, desde o planejamento como Lista de Compra, passando por
recomendações para ajudar e facilitar as escolhas como Minhas Promoções,
até mesmo guias com curadoria, como Alternativas mais Baratas.
- Outra forma de
simplificar a vida do cliente é substituir os cartões de fidelidade,
cupons de descontos e comprovantes de recompensa, por uma identificação
única (ex. CPF), e entregar os anúncios com promoções personalizadas
através de um app. Outra tendência é o uso de Self-Scan através de
aplicativos móveis, checkouts de autoatendimento e quaisquer tecnologias
adicionais que reduzam o contato humano.
Todos esses
serviços digitais também podem ajudar a gerenciar os custos de mão-de-obra das
lojas e de publicidade, diminuindo a pressão para aumentar os preços para os
clientes, mantendo a rentabilidade em tempos de inflação.
8.
Considere novas mecânicas de recompensa e fidelidade
Existem duas novas
mecânicas de fidelidade que beneficiam os clientes que fazem compromissos de
longo prazo para obter uma maior estabilidade nos preços, e que os varejistas
devem considerar para atenuar os aumentos de preços, especialmente em tempos de
inflação.
- As assinaturas podem ajudar a
ganhar ou manter a fidelidade. Os principais modelos já existentes em
lojas, e que estão emergindo em supermercados, são os que oferecem cash
back e serviços gratuitos, os que entregam bônus aplicáveis na loja e
descontos maiores para compras com recorrência.
Taxas
de entregas com custo fixo é outra alavanca importante para ganhar a fidelização
do cliente, visto que existe uma base de consumidores que mudou drasticamente
para compras digitais. Esses "custos fixos" visam manter uma fatia maior de
gastos dentro do varejista, ajudando os compradores online a economizar
dinheiro em taxas de entrega e dar opções para diferentes prazos.
*Adriano Araújo é Presidente da dunnhumby para a América Latina.
