Quatro Pontos de Atenção Para a Cibersegurança em 2020
*Por Flavio Silva
O ano de 2020 marca o fim do ciclo de uma década. Nos últimos
anos, muita coisa mudou do ponto de vista tecnológico. A forma como a sociedade
em geral se relaciona com a tecnologia se tornou parte intrínseca da vida
diária das pessoas. Se por um lado isso abre espaço para muita comodidade, por
outro oferece diversos riscos de ataques cibernéticos. Assim como o aspecto
tecnológico se tornou mais acessível e abrangente, os cibercriminosos também
aperfeiçoaram as suas técnicas para fraudar e ter acesso a dados privados.
É preciso ter consciência de que os atacantes pode tirar vantagem
das falhas mais simples de segurança - como correção de patches ou patches
incompletos, colocando ambientes inteiros em risco. Códigos e bibliotecas
abertas são oportunidades para ataques e os desenvolvedores precisam estar
atentos a essa questão. Vai ficar cada vez mais complexo administrar todas
essas vulnerabilidades, e as empresas terão que realizar provas de conceito
para testar vulnerabilidades das suas aplicações.
O futuro será cada vez mais exposto ao passo que os avanços
tecnológicos se tornam mais presentes. Tecnologia da Informação e Tecnologia da
Operação precisarão buscar mecanismos de proteção e prevenção. Tecnologias como
Machine Learning e Inteligência Artificial serão mais utilizadas para fins
fraudulentos, bem como dispositivos de Internet das Coisas (IoT) sendo mais
vulneráveis.
E esta é apenas a ponta do iceberg. A boa notícia, entretanto, é
que o futuro será defensável. Nesse cenário, o gerenciamento de risco e a
compreensão de ameaças serão vitais para a criação de um ambiente seguro.
Ataques planejados e táticas variadas exigirão melhores práticas de
inteligência e análise a partir do uso de soluções de cybersecurity, e soluções
tecnológicas avançadas ajudarão na mitigação rápida de riscos e
vulnerabilidades, seja de prevenção ou de correção.
Abaixo, detalho mais sobre estes quatro importantes pontos de
atenção de cibersegurança para 2020:
Complexidade dos ataques
Novas tecnologias e plataformas serão usadas para servir como meio
de ciberataques, e os atacantes já estão aproveitando as brechas. Com a
popularização do blockchain, por exemplo, eles podem utilizar a mesma
tecnologia para realizar operações fraudulentas no submundo do ambiente
virtual, ao mesmo tempo em que o open banking abre novas formas de ciberataques
e os softwares de caixas eletrônicos também podem ser alvo de ataques. A
tecnologia também possibilitou o surgimento dos chamados deep fakes, que forneceram
aos atacantes novas possibilidades em tirar vantagens e cometer fraudes
financeiras ao utilizar a Inteligência Artificial para alterar imagens, vídeos
e áudios, distorcendo fatos e pessoas.
Maior exposição tecnológica
A Tecnologia da Informação e a Tecnologia da Operação estarão mais
expostas às técnicas de ataques. Os cibercriminosos podem invadir as
residências a partir de dispositivos de Internet das Coisas (IoT), como câmeras
de vigilância, eletrodomésticos e televisores inteligentes. Esses dispositivos,
que estão conectados à internet, serão utilizados pelos atacantes para
conseguir obter informações privilegiadas e extorquir os usuários. Base disso,
o 5G oferecerá riscos ainda maiores, uma vez que as operações são baseadas em
softwares com vulnerabilidades. A maior largura de banda e a baixa latência
oferecem melhores condições para cibercriminosos realizarem ataques de
proporções ainda maiores. A falta de segurança nativa nas redes de 5G também
agravam potenciais ameaças relacionadas à confidencialidade das informações.
O futuro será desconfigurado
A computação em nuvem e a junção de desenvolvimento e operações
(DevOps), ao mesmo tempo que apresentam vantagens aos seus usuários, aumentam
os riscos de cibersegurança. O uso de computação sem servidores (serverless
computing) e a integração de aplicações em nuvem com foco em redução de custo
terão grande adesão das empresas em 2020. Obter essa estrutura não significa,
contudo, que as empresas estarão imunes a problemas de segurança. Falhas de configuração,
bibliotecas desatualizadas e vulnerabilidades conhecidas e desconhecidas em
aplicações com essa estrutura podem abrir grandes brechas. Os atacantes podem
utilizar isso para coletar informações sensíveis ou invadir as redes das
empresas. A falta de configuração no armazenamento de dados em nuvem que causam
vazamento de informações continuará sendo um problema comum de segurança para
as organizações em 2020.
O futuro será defensável
Gerenciamento de risco e compreensão de ameaças serão vitais para
a criação de um ambiente seguro. Detecções preditivas e baseadas em
comportamento serão cruciais contra as ameaças. Ataques de subsistência (living
off the land) continuarão sendo usados, e muitas das vezes essas ameaças
conseguirão romper técnicas tradicionais de detecção. Aumento de ameaças Linux
e/ou aplicações que usem o seu kernel irão aumentar devido à vasta
aplicabilidade desses sistemas, especialmente nos dispositivos IoT. Os chamados
threat hunters, especialistas em encontrar vulnerabilidades, poderão
controlar melhor os ataques e os padrões de ameaça. O uso de Inteligência de
Ameaças e Analytics de Segurança terão que ser combinados e mais bem usados
para proteção em múltiplas camadas. Ataques planejados e táticas variadas
exigirão melhores práticas de inteligência e análise. O uso de ferramentas e
soluções que ajudem na mitigação rápida de riscos e vulnerabilidades, seja de
prevenção ou de correção, terão papel fundamental.
Contar com a colaboração de especialistas em cibersegurança será
essencial na mitigação de riscos em todas as áreas que envolvam estruturas
tecnológicas dentro das corporações. Com isso, é possível que os
desenvolvedores ganhem mais visibilidade e controle sobre os dispositivos e os
servidores conectados de modo a endereçar as resoluções dos pontos fracos
detectados. Detecção de ataques em tempo real e de dia zero serão cruciais na
identificação proativa de ameaças conhecidas e desconhecidas.
*Flavio Silva é especialista de Segurança e Sales Engineer da
Trend Micro Brasil.
