Fidelidade Multifacetada: Como Engajar Diferentes Públicos no Mesmo Ecossistema?
*Por Cristiano Santos
A realidade está mais multifacetada do que nunca. Se por um lado a
multiplicidade de canais, telas e audiências apresenta inúmeras oportunidades
para todos os tipos de estratégia de marketing, já se sabe que, quanto mais
amplas as possibilidades, mais complexas ficam as relações e mais apurada deve
ser a coordenação das diferentes ações.
No campo da fidelidade, esse desafio se faz ainda mais presente,
principalmente quando uma empresa precisa atender às necessidades de públicos
muito distintos dentro do mesmo ecossistema de benefícios. Segundo a eMarketer,
para 75% dos usuários cadastrados em programas de fidelidade, a relevância dos
prêmios é essencial para que eles se mantenham engajados no programa. Já para
81%, a clareza das regras é o ponto mais importante.
Tendo isso em vista, quando uma empresa se propõe a atender
públicos diferentes dentro do mesmo ecossistema de benefícios, o trabalho de
campo é fundamental para dar sustentação a uma estratégia de fidelidade
multifacetada. É importante conhecer de perto cada um dos segmentos atendidos e
entender as necessidades, gostos e rejeições dos múltiplos stakeholders.
No entanto, não basta que o time de fidelidade vá conhecer todos
os públicos pessoalmente: colaboradores de todos os níveis e setores da empresa
devem ser levados a campo para vivenciar o cotidiano de seus clientes. Só assim
é possível ter noção real dos desafios e oportunidades enfrentados por eles e
construir um ecossistema que entregue, de forma integral, benefícios
relevantes. Com essa estratégia, a linguagem, o "tom de voz" da marca também se
torna muito mais certeiro e genuíno atendendo, assim, os dois pontos que
comprovadamente mantêm os usuários do programa de fidelidade engajados e
participantes.
Sendo assim, um aspecto essencial da entrega diz mais respeito ao
funcionamento interno da empresa, do que ao produto final em si: uma equipe
verdadeiramente engajada vai muito além e passa a ser a "cola", o elo que
conecta consumidores, parceiros e investidores. Claro que um time bem treinado,
para o qual o atendimento rápido é um valor fundamental, é importante.
No entanto, é o conhecimento profundo dos stakeholders que fará
com que a empresa se destaque, principalmente quando se trata de estratégias ou
serviços de fidelização. Isso porque a fidelidade exige que o consumidor se
sinta verdadeiramente beneficiado e se disponha a estabelecer um compromisso de
longo prazo com determinada marca.
Outro fator determinante para criar um programa de fidelidade que
atenda a diversos segmentos ao mesmo tempo é abraçar a cultura do erro, ou a
lógica "fail fast"; isso porque o constante teste de hipóteses estimula o
aprendizado e a inovação, que devem ser contínuos para qualquer empresa, mas
que se fazem acentuadamente necessários na constante criação de prêmios
relevantes e na expansão do ecossistema de benefícios.
Além disso, é importante desenhar uma jornada clara do cliente, de
forma a entregar conteúdo relevante nos momentos certos. Aqui, vale lembrar que
não existem mais fronteiras entre canais on e off e garantir a integração não é
apenas recomendada, mas fundamental para ampliar o engajamento dos
consumidores.
Por fim, volte a campo para sentir na prática o que os seus
consumidores têm a dizer sobre a entrega do serviço, colete feedbacks, realize
mudanças quando necessário e busque repetir esse processo continuamente, de
forma a cultivar uma relação próxima e transparente com suas audiências. Assim,
o desafio de engajar diferentes públicos no mesmo ecossistema torna-se mais
factível e a empatia entre as marcas e os consumidores pode seguir crescendo
exponencialmente.
*Cristiano Santos é CMO da
Juntos Somos Mais.
