Dark Stores: Tendência que Veio Revolucionar e Agilizar o Varejo Online
*Por Rodrigo Brisolara
Um
dos setores que mais expandiu nesses atípicos últimos dois anos foi,
sem dúvida, o e-commerce de alimentos. Da crise surgiu a necessidade das
empresas se tornarem cada vez mais digitais, e virou uma questão de
sobrevivência aos que não permaneciam analógicos. O
paradoxo é que, enquanto as lojas mais experientes corriam para se
adequar a um novo modelo de atendimento, mais o cliente ia ficando
exigente. Entregas mais rápidas. Mais variedade. Melhores ofertas.
Escolha de horário. Novas marcas. Comprar tudo em um só lugar, sem
precisar participar de uma verdadeira "caça ao tesouro".
Essa
exigência toda não é nova, claro, mas cresce a cada dia. Aplicativos de
serviços de entrega entenderam bem essa questão e conquistaram novos
adeptos. Mas não resolveram toda a matemática da oferta versus
rapidez -- ainda. Pense em quantas vezes escolheu um produto, pagou e
depois de um tempo, já aflito com a compra que não chegou, recebeu o
telefonema do prestador de serviço informando que o produto não estava
disponível e se você gostaria de trocá-lo por outra opção. Diversas,
não?
A
resposta, e solução, chegou de outro segmento da indústria: a do
delivery de comidas prontas. Uma estratégia que elevou a capacidade de
alcance e proporcionou que diversos empreendedores ampliassem sua área
de atuação, pode também influenciar as compras de itens básicos da
despensa, de higiene, limpeza e até de hortifrútis. Estou falando das
dark kitchens -- ou melhor, no caso dos supermercados online, das darks
store.
Com
a crescente evolução dos pedidos por aplicativo, a necessidade das
pessoas passou dos pedidos instantâneos para compras de supermercado,
farmácias e afins, e com ela veio o descontentamento de não encontrar os
produtos desejados, de longas esperas para a entrega, altas taxas de
entrega ou de estar fora da área de cobertura de um supermercado.Assim
como as "cozinhas fantasmas", as dark stores partem do mesmo princípio
dos estabelecimentos que investem em espaços apenas para entregas por
delivery. Elas são como mercados com acesso somente aos entregadores,
aos funcionários e aos responsáveis pelo seu abastecimento, localizadas
em pontos estratégicos para entregas ágeis realizadas sob demanda.
O
conceito apareceu primeiro em 2009 com uma das redes de supermercados
do Reino Unido. Na época era estimado que a varejista recebia mais de
475 mil pedidos online por semana. Se esforçando para responderem à alta
demanda online, criaram as primeiras dark stores para lidarem com o
aumento do e-commerce, planejando criar outras "lojas ocultas" a cada
ano. No ano de 2013, a rede já era responsável por mais de 45% de todo
delivery do Reino Unido.
Na
América Latina, em 2012, o Brasil já era o líder de compras online, com
73% dos brasileiros ligados em ofertas virtuais, 55% já comprando
produtos para casa, mas apenas 15% destinadas a alimentos e bebidas,
segundos dados da Nielsen. Cenário que mudou fortemente com confinamento
devida a Covid-19, quando 76% dos brasileiros migraram suas compras de supermercado para o ambiente online.
As
pessoas querem experiências, mas hoje buscam soluções eficientes, tanto
que uma pesquisa da Retail Supernova, mostrou que 50% dos consumidores
online preferem locais que estejam a 15 a 20 minutos de sua casa.
E,
levando em consideração que até 2030 as gerações Alfa e Z serão mais de
50% da população, a mudança de hábitos das redes varejistas deve seguir
por este lado. Pensar em estratégias omnichannel para que os jovens de
hoje possam continuar a consumir, porém sem os conceitos das gerações
anteriores que já não fazem mais sentido para eles.
O
que diferencia esse tipo de estratégia de grandes redes
supermercadistas é a tecnologia aplicada de forma inteligente. Uma delas
é o acesso descentralizado aos inventários, para que apenas os produtos
disponíveis sejam ofertados ao consumidor, diminuindo a frustração de
ter que trocar de produto porque o entregador não encontrou. E, poder
manter diversos itens em ambiente inteligente, também amplia a variedade
de marcas e produtos -- a partir do momento em que o conhecimento sobre
a região vai trazendo informações fundamentais sobre os hábitos de
consumo daqueles consumidores específicos, mais eficiente se torna o
estoque e também a oferta. Como bônus, a escolha da localização garante a
agilidade na entrega.
Apostamos
nesse modelo desde o dia um, na Colômbia, onde nascemos, com grande
sucesso e estamos replicando em todos os países em que atuamos, unindo a
comodidade de um supermercado de bairro com as vantagens das grandes
redes. O segredo para se ter êxito nesses momentos de "ondas" é uma
receita que mistura atenção ao que o consumidor quer, com investimentos
em tecnologias e processos. Quem deixar de surfar essa onda vai perder
clientes. Ou continuar discutindo com os seus, quando falta sua marca
preferida de sabão em pó ou um corte específico de carne.
*Rodrigo Brisolara édiretor de logística da Merqueo Brasil.
22/02/2022
