Cashback no Brasil: Uma Estratégia para Fidelização dos Consumidores
*PorAlexandre Crivellaro
Os
programas de fidelidade estão crescendo no Brasil. A ABEMF (Associação
Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização) estima que o volume de
pontos/milhas emitidos com compras e transações dos clientes somaram 128,2
bilhões, no primeiro semestre de 2021. Uma dessas práticas de fidelização é o
cashback.
O
"retorno do dinheiro" é uma ferramenta que permite ao consumidor receber de
volta parte do que foi gasto na compra de um produto ou, geralmente um
percentual em relação ao valor pago. O processo de retornar o dinheiro para o
consumidor pode variar em função das plataformas e lojas que oferecem essa
possibilidade.
O
modelo tradicional, que é o de oferecer um crédito para a próxima compra vem
mudando, algumas plataformas permitem o resgate do dinheiro a partir de um
certo valor que pode em alguns casos começar com R$ 15. Outras permitem
inclusive o uso do cashback para recargas de celular ou pagamento de contas de
luz, água etc. Ainda existem também casos em que a bonificação pode ser
transferida para amigos.
O
cashback também pode variar em função do produto oferecido ou ser fixo para um
site, uma categoria de produto ou mesmo uma determinada marca. As lojas
oferecem descontos muito variados, geralmente entre 4% e 8%, mas podem chegar
a 50% em datas específicas como Dia das Mães ou Black Friday.
Muitos
cartões de crédito também vêm oferecendo a modalidade de cashback que retornam
valores menores, de cerca de 1% podendo chegar até em 2% dependendo do gasto e
do tipo de cartão.
Em
relação aos lojistas, algumas pesquisas mostram que o cashback é uma das
principais ferramentas apontadas pelos usuários na decisão de compra, mais
precisamente 53% dos consumidores, conforme aponta o Serasa. Já para o Mobile
Time, 49% das pessoas apontam essa vantagem como determinante na hora de uma compra,
endossando a efetividade dos programas de fidelização, uma vez o consumidor
volta para usar os pontos acumulados em novas compras, diminuindo o custo de
aquisição de novos clientes. Ao levar em consideração as datas
comemorativas, a ferramenta pode aparecer logo depois do valor atrativo do
produto.
O
cashback é também uma boa ferramenta para aumentar o tráfego e as vendas em uma
loja. De acordo com uma pesquisa da Global Cashback Report, a implementação do
cashback aumentou a conversão em mais de 3 vezes e o ticket médio em 46%, isso
faz sentido já que as pessoas tendem a buscar retornos maiores nas suas
compras, o que induz ao cliente gastar mais.
Um
dos usos deste recurso, pode ser para incentivar a compra dos produtos
abandonados no carrinho, o que significa quase 80% dos casos, assim, a loja
pode oferecer um retorno por exemplo de 5% para a compra de um produto
esquecido.
Estima-se
que nos últimos 12 meses a prática do cashback tenha movimentado cerca de R$ 7
bilhões no Brasil, e, considerando uma média 5% de cashback, isso pode ter
gerado um retorno de mais de R$ 350 milhões no bolso dos clientes. O Banco
Original pagou R$ 29 milhões em seu programa de cashback em 2020; a Méliuz
reportou 20,8 milhões de usuários cadastrados no terceiro trimestre de 2021,
distribuídos entre 35 milhões de usuários do serviço no Brasil.
Sendo
assim, as compras online com uso de cashback podem representar em 2021 quase 5%
de todo o comercio eletrônico no Brasil, muito embora possa haver uma distorção
considerando compras off-line, já que as plataformas de cashback também prestam
serviços para o off-line.
Sabemos
que o preço é um dos principais fatores na decisão de compra no ambiente
online, e o cashback é mais um componente deste fator, alavancando ainda mais
as compras.
A
pandemia acelerou vários processos digitais entre eles o uso do cashback, e
tudo leva a crer que isso se mantenha nos próximos anos, já que o serviço foi
absorvido e aceito por grande parte dos usuários.
Os
clientes dever estar atentos para alguns riscos desta ferramenta, por exemplo;
comprar mais produtos que o necessário em busca de bonificações ou compras
desnecessárias, além disso a comparação de preços é fundamental, já que o valor
devolvido pode estar embutido no valor do produto, não gerando nenhum benefício
para o cliente.
Neste
sentido, existem muitas reclamações pelo não entendimento correto do cashback,
assim, as lojas precisam ficar atentas no preparo de uma comunicação clara e
objetiva, com exemplos práticos sobre o uso da ferramenta.
*Alexandre Crivellaro é diretor de
inteligência de mercado da ABComm
