A Pandemia e a Evolução dos Modelos de Negócio do Varejo
*Por Fernando Gambôa
Nos
últimos meses, muitos varejistas vêm discutindo com seus pares de
mercado e com especialistas sobre a melhor forma de enfrentar os
desafios que vão desde a gestão de custos, passando pelo relacionamento
com o cliente até o impacto dos valores e propósitos. São temas sobre os
quais o setor já vinha comentando há algum tempo, mas que foram
apontados como prioridade para este ano. Vale lembrar que a pandemia e o
mercado em rápida evolução forneceram uma nova lente para visualizá-los
sob um ângulo diferentes. Ressaltamos que esses fatores já fazem parte
do modelo de negócios de muitas empresas e que vêm evoluindo
rapidamente.
Nesse
sentido, os varejistas têm analisado se a decadência do modelo
tradicional de varejo vem ocorrendo há anos e se a covid-19 realmente
acelerou esse processo com a rápida evolução e a dinâmica da relação
entre os modelos de negócio físico e o digital. Por um lado, há
evidências de que os dois estão se tornando cada vez mais integrados à
medida que as lojas aumentam rapidamente os recursos digitais e começam a
reinventar a proposta de valor para um mundo digital prioritário. Por
outro, também está claro que as métricas que usamos para gerenciar o
online e o físico não são iguais. Aquelas estratégias que funcionaram na
loja física podem ajudar durante o período de transição, mas não
representam necessariamente as melhores práticas em um mundo digital, e o
inverso também se aplica, pois empresários e executivos estão buscando,
por meio de tecnologia, aplicar boas práticas do mundo digital no
varejo físico.
Essa
relação em evolução entre o físico e o digital está ocorrendo por meio
da transformação e inovação do modelo de negócios. A utilização dos
imóveis está sendo alterada com a redução de espaço para a implantação
de minicentros de distribuição ou dark stores, criadas especificamente
para atendimento de pedidos digitais e clique-e-retire, e com
ecossistemas de plataformas comprando espaços de varejo para servir como
novos centros de distribuição regionais. Essa evolução continuará a
impactar a e revolucionar a utilização do espaço físico, sugerindo uma
mudança radical no propósito dos showrooms e serviços ao cliente.
Acredita-se
que uma mudança semelhante acontecerá com os modelos de trabalho.
Muitos varejistas vão priorizar as iniciativas em que os funcionários
estão agregando valor em um mundo cada vez mais digital enquanto, ao
mesmo tempo, se esforçam para evitar conflitos potenciais que já estão
surgindo. Vendedores que durante a pandemia se valeram de dispositivos
como apps ou aplicativos de mensagens para seguirem vendendo com as
lojas fechadas, acabaram incorporando este comportamento e seguem
fazendo negócios desta forma mesmo com as lojas abertas. A evolução do
modelo de negócios também está sendo impulsionada por esforços para
aprimorar a cadeia de valor.
Nesse sentido, as empresas de suprimentos
começaram a ter foco na demanda à medida que as expectativas dos
clientes mudam e o atendimento expresso se torna cada vez mais
importante. Com isso, os varejistas estão tendo que mudar a gama de
produtos, modelos de distribuição, inventário e os canais de
comercialização. Eles veem a cadeia de valor como uma oportunidade para
impulsionar a inovação, diferenciar-se perante os consumidores, além de
criar uma vantagem competitiva sustentável.
*Fernando Gambôa é sócio líder da área de consumo e varejo da KPMG.
10/05/2021
