Desaceleração Chega Antes do Esperado
Mercado de Smartphones


As vendas não estão em
queda, porém, o altíssimo ritmo de crescimento dos últimos anos sofrerá uma
desaceleração acima do esperado, segundo o IDC Brasil, que reviu a projeção
deste ano de 9,5% para 6,9%, mesmo após um crescimento de 33% no primeiro
trimestre do ano, em relação a 2014. "O que se percebe é que já
começou um processo de enfraquecimento nas vendas de smartphones e o cenário
não deve mudar muito até o final do ano, de acordo com tudo que apuramos com a
indústria", afirma Leonardo Munin, analista de pesquisa do IDC, em entrevista
ao Portal Giro News.
Movimento Antecipado
Para ele, era natural que o
mercado começasse a sofrer uma desaceleração após forte ritmo de expansão,
aumentando anualmente a base instalada, porém, o índice caiu muito mais do que o
esperado. "Há algum tempo nós já prevíamos que iria haver uma retração, porque
sabemos que não tinha como seguir crescendo tanto. Para se ter uma ideia, entre
2014 e 2013 a alta foi superior a 50%, era natural que em 2015 ficasse abaixo
disso. Entretanto, o normal seria uma taxa em torno de 20% e 30% e não uma
expansão apenas na casa de 1 dígito, só esperávamos isso para depois do segundo
semestre de 2016", analisou.
Consumo Atual
Segundo o IDC, o momento é
de aposta em produtos mais robustos e de maior valor agregado. "A tendência de
consumo agora é de segunda compra. Justamente por isso as empresas estão
apostando mais em qualidade e menos em produto de entrada, que foram ideais
para introduzir o brasileiro neste universo. Porém, agora esse consumidor sabe
mais sobre esses aparelhos, os benefícios que pode ter com ele e deseja avançar
para uma opção muito melhor", afirma.
A Desaceleração
Na avaliação de Munin, o
que impacta essa desaceleração em unidades é o conjunto de fatores da
atualidade econômica do país, com a mudança de humor, menos crédito, além do endividamento
do brasileiro. "Hoje em dia ele está apenas pagando a conta de tudo que
adquiriu recentemente, isso sem contar a inadimplência, que acaba com o poder
de compra para bens duráveis. Mas vale ressaltar que o dólar também é um fator
importante nesse enfraquecimento - atualmente todas as telas e chipsets de
smartphones são importados. Isso impacta diretamente o custo de produção e
consequentemente o preço final, inibindo o consumo", conclui.