Sabe quem é o principal responsável por todos os investimentos da indústria, varejo e atacado em todo o mundo? Ele mesmo, o consumidor. E para celebrar o Dia do Consumidor, comemorado hoje, Giro News preparou uma reedição especial da coluna Consumidor&Comportamento que ressalta a importância de resgatar a aproximação com o freguês, personagem principal, mas muita vezes obscurecido em meio as complexas interpretações do mercado. Confira e comente.
E o Famoso Freguês?
Matamos o freguês e o shopper foi ao velório
É infalível: de repente todas as empresas estão caçando o shopper. Em todas as reuniões ele é o desconhecido mais presente. Sim, o shopper, um ser não identificável a olho nu, que parece ter saído de um filme de ficção para entrar em seu supermercado, fazer compras e sair no anonimato, como um clandestino viajando no porão escuro de um navio cargueiro.
Precisamos tirar esse ser da penumbra. Vamos dar vida a ele e chamá-lo pelo seu verdadeiro nome: Freguês. Isso mesmo, freguês!
Talvez você não se lembre dele. O freguês morreu quando as lojas de secos & molhados, vendas, mercearias, empórios e bodegas se transformaram em auto-serviço.
A partir daí matamos o freguês e começamos atender o cliente. Freguês não era mais condizente com lojas tão modernas. Cliente sim, era palavra bonita, chique de se dizer, até parecia coisa de doutor, mesmo porque até então só doutores tinham clientes.
O cliente, por sua vez, quando adquiriu mais direitos, passou a ser o consumidor, um indivíduo respeitado, paparicado, mas igualmente desconhecido, embora com um código de leis em sua defesa. Em nenhum momento, porém, conquistou a privilegiada posição de freguês de caderneta, conhecido do balconista, que muitas vezes era o dono da loja. Sumiu o balcão e o balconista. A caderneta deu lugar ao cartão de crédito. E o freguês? Bem, ele foi ganhando sinônimos – cliente, consumidor – e agora importamos o elegante shopper.
Não importa o apelido que damos ao freguês. Hoje, você dispõe de todos os recursos tecnológicos para identificar cada consumidor e suas preferências, falta só criar o balconista eletrônico para cuidar de cada grupo de clientes e, assim, retribuir em ofertas, dedicação e atenção o privilégio dele ter escolhido sua loja. Aí, pode até chamá-lo de shopper que não vai fazer muita diferença.
