Food Service Registra seu Pior Momento
Ecos da Crise


A
crise no setor de alimentação, que teve início no
último trimestre de 2014 e agravamento no segundo semestre do ano passado,
segundo dados da Abrasel(Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), parece
ter atingido o seu momento mais dramático no primeiro trimestre de 2016.
Segundo a Pesquisa de Conjuntura Econômica do Setor de Alimentação Fora do Lar,
realizada pela associação, 34% das empresas afirmam estar operando com
prejuízo, fato recorrente e que vem crescendo a cada edição da pesquisa.Antes de chegar a
esse número, o prejuízo começoucom 5% no últimotrimestre de 2014, foi a 15% no primeiro
trimestre de 2015 erondou os 25% do segundo ao quarto trimestre de 2015.
Readequação
De
todo o orçamento que o brasileiro destina à alimentação, em média, um terço é
gasto com alimentação fora do lar, o que significa que o consumidor não
abandonou os bares e restaurantes, mas, sim, readequou sua faixa de gastos. Enquanto
os estabelecimentos com tíquete por cliente na faixa de R$25 a R$70 apresentam
queda de faturamento de até 30%, os com tíquetes abaixo de R$15 chegam a
faturar até 15% a mais. Para a Abrasel, é importante observar que a maior parte
desta queda deve-se a uma sazonalidade histórica, na qual o primeiro trimestre
do ano apresenta uma redução média de 6% em relação ao último trimestre do ano
anterior.
Custo
Operacional x Inflação
A pressão dos consumidores por preços mais acessíveis não tem permitido que o
setor repasse os aumentos de custos na totalidade, o que pressiona o resultado
das empresas. A consequência disso é que 79% das empresas informa que seus
custos operacionais continuam subindo acima da inflação geral do país. Para os
outros 13%, o aumento de custos acompanha a inflação. Chama a atenção também o
crescimento de 23% da parcela das empresas que estão registrando prejuízos
superiores a 5%. A boa notícia é
para os consumidores que, com o agravamento da crise, os preços praticados pelo
setor caíram 1,33%, a metade da inflação medida pelo IPCA no primeiro trimestre
de 2016 (2,62%).
Pressão
da Concorrência
A
análise de concorrência com o recorte de localização na rua ou em shopping
center deixa evidente a maior pressão da concorrência em shoppings centers, com
58% enxergando aumento, enquanto nas empresas de porta para rua, a percepção de
aumento fica em 44%. Isso também influencia na decisão dos empresários em dar
continuidade, ou não, ao seu negócio. Dos empresários questionados quanto as perspectivas
de manutenção do negócio nos próximos 12 meses, 19% prevêem se desfazer do seu
negócio, ou seja, um em cada cinco entrevistados. Na pesquisa do quarto
trimestre de 2015, o número de interessados em se desfazer do negócio foi
menor, 16%.
Previsão Para 2016
A grande maioria dos empresários acredita que
seus custos operacionais encerrarão 2016 com crescimento acima da inflação.
Além disso, o agravamento da crise no segundo semestre de 2015 fez com que 66%
dos empresários passassem a prever um 2016 pior. Por outro lado, se antes
apenas 10% previam um ano melhor, desta vez 16% responderam que acreditam que o
ambiente de negócios vai melhorar em 2016.Mais da metade dos empresários (55%)
acredita que o faturamento do seu negócio este ano será pior que em 2015 - o pessimismo
é sentido em todas as regiões em intensidade similar.A associação
continua mantendo a sua previsão de que o ano de 2016 apresentará um
crescimento real nulo e um crescimento nominal da ordem de 7,5% em um setor que retomará
de forma lenta o crescimento a partir do terceiro trimestre e encerrará o ano
com um faturamento de R$ 160 bilhões.
