Só com exame de Colesterol Atualizado
Costela
*Por AC Yazbek
Uma
nova armadilha está sendo montada para abrir as portas aos pequenos ladrões da
fiscalização sanitária. É a lei que vai obrigar bares, restaurantes e
lanchonetes a informar, no cardápio, o valor calórico de cada prato e como se
não bastasse, será obrigatório, também, advertir quanto a presença de lactose e
glúten, nos alimentos. E, não termina por aí, os cardápios deverão ter a
mensagem de que "o sobrepeso e a obesidade são fatores de risco que podem
comprometer seu bem-estar e sua saúde".
A
Lei, que estabelece esses absurdos já foi aprovada no Senado e na Comissão de
Defesa do Consumidor, na Câmara, com o substitutivo de Eros Biondini, de MG, um
misto de deputado com cantor sertanejo evangélico, que aproveitou o momento
para carregar ainda mais as letras nas obrigações, já estabelecendo que os
restaurantes que não tiverem cardápio deverão afixar letreiros em local
visível. As informações deverão ser assinadas por nutricionista, regularmente
inscrito no Conselho Regional de Nutricionistas da respectiva área de atuação
profissional.
Esses
políticos? Sempre penalizam quem trabalha, criando obrigações absurdas,
puníveis com multas que variam de R$ 1,5 mil à R$ 2 milhões e na reincidência
essas multas dobram e, nos casos mais graves, podem provocar até a interdição do
estabelecimento. Esses políticos? São os mesmos que proibiram o sal na mesa de
bares, restaurantes e lanchonetes; querem impedir o refil de refrigerantes;
criaram a lei da gorjeta e; a obrigação de pesar bananas nas feiras livres.
Alguns desses absurdos caíram de maduro, mas eles continuam tentando. Já
pensaram o quanto pode render, em propina, uma grande rede de lanchonetes? Será
uma fonte inesgotável. Um fiscal, mais cego, ou corrupto, poderá dizer: "o
letreiro não está legível". E, tome multa, ou dá-se um jeitinho, porém um
político notório venderá seu apoio para que ninguém multe esta ou aquela rede.
Com essas leis absurdas o Brasil vai se tornar o maior país, onde tudo que não
é proibido é obrigatório.
Abuso
de Autoridade
Essa
lei, se aprovada, dará ao Brasil a liderança no ranking do abuso de autoridade.
Será o único país, no mundo, a ter essa obrigatoriedade. É verdade, que alguns
restaurantes, no exterior, indicam o valor calórico de cada prato, porém, é
espontâneo. Aí, o dono daquele pequeno bar, restaurante, ou lanchonete, para se
adaptar à lei, terá que contratar um nutricionista, que poderá custar mais de
R$ 3,9 mil ao mês. Um custo que será repassado ao consumidor, que os tais políticos
dizem defender.
No
ar fica a pergunta: em um rodízio de carnes, cada espeto terá o valor calórico
em uma plaquinha presa ao garçom? Em restaurantes por quilo, o restaurante
deverá ter um software específico para informar o valor calórico do prato de
cada cliente? E o Food Truck, vai ser obrigado a escrever em uma lousa as
calorias de cada item? E se o cliente pedir mais uma batatinha de tira gosto,
ou uma fatia de mortadela, deverá esperar a convocação de um nutricionista para
informar quantas calorias tem o seu pedido extra?
O
pior é que informar as calorias não significa nada. Um trabalhador braçal, ou
um atleta, maratonista, consome em média 7 mil calorias por dia. Enquanto nós,
pobres mortais, começamos a ganhar peso com qualquer coisa acima das 1.500
calorias. Ou seja, é uma lei que nasce inútil, tanto na execução, quanto nos
efeitos. Mas se essa lei passar, em breve, teremos uma outra, onde cada
empreendedor, cada garçom, cada funcionário, será um vigilante do peso, da
saúde e do bem estar de seus consumidores.
Deputado,
Senador, políticos, nunca entraram em um restaurante por quilo, não imaginam o
que é um PF em boteco de peão, não sabem o que é uma padaria com 180 tipos de
pães, uma doceira com dezenas de guloseimas e pensam que o povo come uma
coxinha na hora do almoço porque é mal informado. Não, o povo come onde pode
saciar a fome com extrema economia, porque não tem dinheiro para sentar-se à
mesa de um restaurante fino em Brasília.
Defesa
ou Bullying?
E
se essa lei passar, daqui a pouco virá uma outra obrigando o brasileiro a comer
peito de frango cozido, com legumes ao vapor. E, nas churrascarias o garçom
dirá: "não servimos picanha para gordo". Bem, isso o garçom não poderá fazer,
porque é bullying, e o processo discriminatório é muito mais caro do que a
multa. Então o que fazer?
Talvez
a solução seja colocar uma faixa, na porta da churrascaria advertindo: "Só
servimos costela com a apresentação de exame de colesterol atualizado".
*AC Yazbek é editor
responsável do Jornal Giro News.
