Crise? Será que é Pânico?




Muitas lojas trabalham com produtos de primeira necessidade e não necessariamente sofrerão os impactos da crise. Veja o que é e o que não é verdade neste setor em tempos de crise econômica mundial.
Especialistas de todo o Brasil ventilam uma crise eminente em reflexo ao caos mundial em todos os setores da economia. Mas, apesar de todo o alarde, o autosserviço brasileiro ainda não foi atingido por esse tsunami fabricado. Por enquanto, os setores mais afetados são aqueles ligados ao crédito, como automotivos e materiais de construção, e à importação, atrelada ao dólar, como informática e eletroeletrônicos. O setor supermercadista, que trabalha com produtos de primeira necessidade, registrou crescimento de 11,48% em outubro de 2008.
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Situação de Momento
A ABIMA (Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias) espera um crescimento de 3% no volume de vendas para 2009. "Vamos acompanhar o PIB brasileiro, chegando ao consumo de 1.370 mil toneladas, aproximadamente", destaca Claudio Zanão, diretor presidente da entidade. Na avaliação do economista da ABIA (Associação Brasileira da Indústria da Alimentação), Denis Ribeiro, no setor alimentício, os reflexos são pequenos, mas adverte: "Se o desemprego começar a crescer, sem dúvida, seremos afetados".
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Crise ou Oportunidade?
Embora julgue cedo para avaliar os impactos futuros da crise internacional, o presidente da Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal), João Carlos Basílio, diz que o setor não depende da facilidade de crédito e que existe a possibilidade de que a sociedade diminua seus endividamentos e passe a consumir mais nos supermercados.
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Busca por Qualidade
"Além disso, os consumidores do primeiro mundo vão precisar de bons produtos a preços acessíveis e os cosméticos brasileiros têm qualidade e são novidade no mercado mundial", informa Basílio. Para dar mais substância à afirmação de Basílio, uma pesquisa realizada pela Associação Comercial de São Paulo indica que o consumidor brasileiro mantém o otimismo, mas está cauteloso e deve adiar compras de grande valor.
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Os Dois Lados da Moeda
Segundo o estudo, 46% dos entrevistados não se sentem à vontade para entrar em financiamentos. A Abihpec movimenta o equivalente a US$ 25 bilhões de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos no mercado interno e exporta cerca de US$ 650 milhões. Para Basílio, crise e oportunidade são lados de uma mesma moeda: "Essa é uma verdade a ser confirmada nos próximos meses, mas creio que a situação financeira mundial pode ser mais vantajosa do que prejudicial para as empresas brasileiras".
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Advertências
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento domiciliar per capita cresceu 7,9% em outubro de 2008 ante o mesmo mês de 2007. De qualquer forma, a preocupação que pode assolar o setor para o próximo ano é uma queda no nível de emprego, o que afetaria rendimentos e, por conseqüência, as vendas.
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O Impacto do Desemprego
Na opinião de Fátima Merlin, diretora de Retail & Shopper Insigths, da Latin Panel, as notícias da crise americana não impactaram diretamente o setor, mas tudo depende das medidas adotadas pelo governo para manter os juros, o crédito e a empregabilidade. Segundo a diretora, o alerta é valido, frente a um país altamente dependente de renda e emprego. "Setenta e sete por cento da população está inserida nas classes C, D e E", acrescenta.
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Otimismo do Setor
O Bretas, segunda maior rede de supermercados de Minas Gerais, deve investir, sozinho, R$ 100 milhões em reformas e abertura de pelo menos 10 lojas neste ano. Já o diretor comercial do Condor, Jefferson Fidélis de Oliveira, avalia que "o mercado continuará a crescer, mesmo com a crise e o objetivo será trabalhar da mesma forma em 2009". A rede vai inaugurar mais um hipermercado, totalizando dez. O executivo não revela o valor do investimento, mas o setor não-alimentar representa 12% do faturamento dessas unidades.